Muralhas de Lagos

Importante porto de pesca e estratégica base naval da costa algarvia, a cidade de Lagos foi, desde tempos remotos, uma cobiçada praça-forte. Antes da chegada e estabelecimento de feitoria comercial pelos Fenícios, já Lagos dispunha de um aglomerado populacional importante e fortificado. Vários povos lutaram pela sua posse, entre eles os cartagineses no século II a. C.. No entanto, os romanos conquistaram-na algum tempo depois, após vencerem a tenaz resistência lusitana comandada por Sertório.
A latina Lacóbriga foi uma próspera cidade, protegida agora por novas muralhas. A malha urbana cresce à medida que o império romano mingua. Os Visigodos serão os próximos conquistadores deste porto algarvio. No entanto, um vendaval vindo do Norte de África varre toda a Península Ibérica e os árabes ocupam Lagos em 716, que é rebatizada com o topónimo de Zawaia, enquanto a fortaleza é renovada pelos novos conquistadores.
A longa ocupação árabe termina em 1189, quando D. Sancho I conquista Lagos para as armas cristãs. No entanto, este triunfo é provisório e, dois anos mais tarde, volta a cair sob o jugo dos muçulmanos comandados por Iacub. Mais de meio século depois, Lagos é definitivamente reconquistada por Paio Peres Correia, encontrando este cavaleiro uma cidade em decadência e com um aglomerado populacional reduzido. O renascimento de Lagos ocorre no reinado de D. Dinis, altura em que são reedificadas e ampliadas as muralhas do castelo, empreitada que seria concluída no reinado de D. Afonso IV. O Infante D. Henrique elegeu Lagos como base das suas operações militares no Norte de África, altura em que a cidade conheceu o seu período de maior esplendor. No entanto, as muralhas de Lagos iam-se arruinando, de tal modo que D. João II ordena em 1475 a reconstrução e reforço da cintura defensiva, trabalhos que se voltaram a verificar no reinado de D. João III.
Com D. Sebastião, Lagos seria elevada a cidade e capital do Algarve, estatuto que manteve até 1755. De acordo com a tradição, o malogrado D. Sebastião terá discursado aos seus soldados da janela manuelina existente na cerca, pouco tempo antes de embarcarem para a fatídica jornada de Alcácer Quibir.
Em 1587, Lagos foi atacada por Francis Drake e os seus corsários, mas estes não conseguiram penetrar na cidade e roubar os seus habitantes.
Em 1640, ano da Restauração da Independência, o governador militar da praça-forte, Henrique Correia da Silva, proclamou fidelidade a D. João IV e a Portugal, secundado por toda a população da cidade, a que se juntaram todas as localidades do Algarve. Para reforçar as antigas defesas, foi construído o moderno Forte da Porta da Bandeira, que procurava impedir o desembarque de tropas inimigas.
O violento sismo de 1755 provocou imensos danos na arquitetura de toda a cidade algarvia, não escapando à rasia desta catástrofe natural parte substancial das suas muralhas medievais. A pressão urbana e as demolições do tempo reduziram substancialmente o seu poderoso perfil militar.
O antigo castelo de Lagos era composto por altos panos de muralha de alvenaria, protegido por parapeito de ameias com seteiras, estando reforçadas por nove torres e sendo rasgadas por oito portas. As que davam para a costa portuária denominavam-se de S. Gonçalo - assim chamada por ter sido aqui que teria nascido este santo algarvio -, Cais, S. Roque e Nova. Comunicando com a terra, abriam-se as portas de Portugal, Postigo, Quartos e Vila. Esta estrutura seria aumentada por alguns baluartes modernos e novas portas comunicantes.
Independente desta estrutura militar mais antiga, ergue-se o robusto Forte da Porta da Bandeira, construção seiscentista marcada no portal nobre pelas armas reais de D. João IV, vigiando os movimentos registados no largo oceano que se estende a seus pés.
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