Muralhas de Valença

Recordações do castelo medieval ainda sobrevivem nalguns trechos da imponente praça-forte de Valença do Minho, radicalmente reformada e robustecida no século XVII, de modo a resistir à ameaça da pólvora e das tropas espanholas que se aquartelavam na margem oposta do Rio Minho. Com efeito, parte das muralhas com pedras sigladas, torres e portas contêm sinais da época românica e gótica, iniciativas realizadas ao longo da primeira dinastia de soberanos portugueses.
A vigilante e fronteiriça cidade de Valença revelou-se, desde os alvores da Nacionalidade, um importante ponto estratégico do nosso território, não escapando, ao correr do tempo, aos efeitos da guerra com a vizinha Espanha e das Invasões Francesas do século XIX.
Denominada Contrasta até ao século XV, esta cidade do Alto Minho passaria a designar-se Valença na segunda metade da centúria de Quatrocentos, por ordem de D. Afonso V - monarca que lhe concedeu privilégios sociais especiais outorgados em régio diploma. A Restauração de 1640 e subsequentes Guerras da Independência colocaram esta praça-forte sob o fogo da artilharia espanhola. Para atenuar o seu impacto destruidor, o visconde de Vila Nova de Cerveira - governador militar de Entre Douro e Minho - concebeu a reforma do conjunto fortificado, reforçando-o decisivamente, de acordo com um moderno plano de arquitetura militar. Estas obras prolongar-se-iam no decurso do século XVIII.
Com uma planta irregular, aproximadamente semicircular, que os diversos revelins e baluartes poligonais quebram, a praça-forte de Valença implanta-se no topo recortado de uma verdejante colina sobranceira ao Rio Minho. Os perímetros da Praça e da Porta do Revelim da Coroada encontram-se rodeados por um fosso, elevando-se sobre este as fortes e não muito altas muralhas. A fortificação divide-se em dois corpos, de diferente dimensão e complexidade. Alguns revelins protegem parte dos panos e das portas da muralha, enquanto poderosos baluartes com as suas guaritas reforçam, decisivamente, alguns dos seus trechos.
Intramuros, existe um complexo sistema de eirados salientes, canhoneiras angulares, esplanadas e parapeitos, disciplinando e conferindo unidade às várias áreas da fortificação. As portas fortificadas da Coroada e a do Meio são transpostas por pontes, ostentando a primeira destas, bem assim como a do Sol, de D. Afonso e da Gaviarra, graníticas pedras de armas reais e dos diversos governadores militares.
Durante as Guerras da Restauração, Valença só seria tomada uma vez pelas forças espanholas, para, logo de seguida, ser retomada pelo exército português sob o comando do conde de Castelo Melhor.
O século XIX viu as invasões napoleónicas tratarem impiedosamente a praça-forte, chegando o general Soult a tomá-la e a mandar explodir a Porta do Sol. No ano de 1828, Valença assistiu ao desenrolar da fratricida guerra civil entre absolutistas e liberais, para, alguns anos mais tarde, esta praça-forte voltar a estar no centro dos conflitos no período do Cabralismo. Cansada da guerra e de tanta violência, Valença só viria a conhecer a paz no dealbar da segunda metade do século XIX.
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