Murtosa

Aspetos Geográficos
O concelho da Murtosa, do distrito de Aveiro, localiza-se na Região Centro (NUT II), no Baixo Vouga (NUT III) e é limitado a norte e a este por Estarreja, a sudeste por Albergaria-a-Velha, a sul por Aveiro e a oeste pelo oceano Atlântico.
Abrange uma área de 73,4 km2, subdividida em quatro freguesias: Murtosa, Monte, Bunheiro e Torreira. Em 2005, o concelho apresentava 9591 habitantes.
O natural ou habitante de Murtosa denomina-se murtoseiro ou murtosense.
O concelho situa-se numa região de planície, a cerca de 5 metros de altitude média, junto aos quatro principais braços da ria de Aveiro. Possui uma extensa área de praias, destacando-se a da Torreira.

História e Monumentos
A sua existência, como concelho, é recente e surgiu como consequência da desanexação de terras ao concelho de Estarreja. A área abrangida pelo atual concelho pertencia ao senhorio das Terras de Santa Maria, povoados e reedificados no ano de 990.
Era uma região de grande prosperidade agrícola e piscatória. A atividade comercial e o tráfico de mercadorias na ria tornaram-se importantes, a tal ponto que a Murtosa possuía recursos mais do que suficientes para as suas necessidades. Assim, a 29 de outubro de 1926, com o apoio do Almirante Jaime Afreixo (Ministro do Interior), foi elevada a sede de um concelho próprio e elevada também a vila.
Do património arquitetónico são de destacar a Igreja Matriz da Murtosa, a Igreja Paroquial da Murtosa, a Igreja Paroquial de Bunheiro, a Capela de S. Simão do Bunheiro, a Capela da Casa da Cereira e a Capela de S. Paio da Torreira.

Tradições, Lendas e Curiosidades
No concelho há várias festas e romarias, destacando-se: a festa de S. Mateus, realizada a 21 de setembro; a de S. Gonçalo, no dia 10 de janeiro; a de S. Simão, no dia 28 de outubro; a de S. Brás, a 3 de fevereiro; a de S. Lourenço, realizada a 10 de agosto; a da Padroeira, a 9 de setembro e a romaria de S. Paio, realizada nos dias 7 e 8 de setembro, coincidindo este último dia com o feriado municipal. Será também de referir a festa de N. Sra. da Paz, na Torreira, realizada no penúltimo dia de agosto, em que se faz, tal como na festa de S. Paio, uma regata de barcos moliceiros e de outras embarcações típicas e ainda um concurso de pinturas dos painéis dos barcos.
Há na Torreira um mercado diário e também uma pequena feira, na segunda-feira de cada mês, onde se vendem, entre outras coisas, antiguidades.
Quanto ao artesanato, são de referir as miniaturas de barcos, as redes, rodilhas, algibeiras e canastras, que demonstram o cariz rural e piscatório do concelho, manifestado também pela arte de xávega (pesca artesanal).
Como curiosidade, na altura em que a barra de Aveiro estava instável (abria e fechava), havia uma estagnação das águas da laguna, facto que favorecia o aparecimento de certas doenças como o paludismo. A este facto está associada a origem do culto a S. Paio, que é o advogado das sezões.

Economia
A nível económico, o concelho foi delineando a sua autossuficiência com base na complementaridade entre a pesca e a agricultura. Atualmente, os produtos agrícolas, principalmente o cultivo do milho e as pastagens, continuam a ter um peso significativo. Este facto é comprovado pela instalação de agroindústrias, para a transformação de produtos agrícolas, assim como indústrias de conservação de peixe.
O turismo tem adquirido importância, principalmente na freguesia de Torreira, onde coexistem ainda a aldeia de pescadores (com os típicos palheiros) e a arte de xávega.
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