Museu de Arte Kimbell

O Museu de Arte Kimbell, localizado em Fort Worth, no Texas, adotou o nome de Kay Kimbell, um milionário americano que fundou, em 1936, juntamente com a sua mulher Velma, a Kimbell Art Foundation. Após a sua morte, a fundação herdou toda a sua fortuna assim como a extensa coleção de arte ainda formada essencialmente por objetos dos séculos XIX e anteriores. Mais tarde esta coleção foi enriquecida com obras que abarcam uma larga diacronia e geografia (desde a Europa à Ásia e a África), incluindo autores como Fra Angélico, Ticiano, El Greco, Rembrandt, Delacroix, Paul Cézanne, Piet Mondrian, Pablo Picasso e Henri Matisse.
Durante a década de 60 a fundação equacionou a possibilidade de construção de um museu para expor as suas obras de arte, pensando então em quatro arquitetos para o desenvolvimento do projeto: Mies van der Rohe, Marcel Breuer, Pier Luigi Nervi e Louis Kahn. Em 1966 optaram definitivamente por Kahn, um arquiteto de grande reputação internacional que tinha construído, quinze anos antes, a Galeria de Arte de Yale.
O novo edifício seria colocado numa grande área de parque, no centro de Fort Worth e deveria reunir, para além dos espaços expositivos, um centro para música, literatura, teatro e outras atividades educativas e culturais. Em setembro de 1968 Kahn apresentou, após duas versões recusadas, a solução final para o museu, uma construção baixa e extensa que tirava partido da luz natural e que partia de uma ideia muito simples e racional: um conjunto de abóbadas de 6,1 metros de largura e comprimentos variáveis, construídas em betão e associadas paralelamente, formando longas mangas que apoiavam somente nos extremos (o que permitia deixar o espaço interior totalmente livre de obstáculos). Estas abóbadas alternavam com espaços mais baixos dotados de coberturas planas.
O plano geral, partindo de um esquema tripartido tipicamente beauxartiano era bastante clássico, fazendo inclusivamente referência a alguns edifícios paradigmáticos de Palladio ou da arquitetura neoclássica. Os dois corpos laterais, mais desenvolvidos, continham os espaços expositivos, reservando-se o corpo central, recuado de forma a definir uma praceta, para os acessos principais e a circulação vertical.
A imagem exterior era marcada pela repetição do perfil cicloide e abatido das abóbadas e pela redução quase radical das aberturas sobre o exterior. As paredes brancas não tocavam nas abóbadas de betão da cobertura, criando pequenos vãos de iluminação.
Contrastando com a austera simplicidade das outras fachadas, o alçado voltado ao jardim possuía dois pórticos monumentais de enorme vão que rematavam os percursos que cortavam o jardim e conduziam os visitantes ao museu. Junto a estes porticados, dois espelhos de água introduziam uma nota cenográfica e poética.
Contrapondo-se à rigidez do exterior, o espaço interno era extremamente fluido, organizando-se sem divisões ao longo dos repetitivos elementos estruturais acima referidos e pontuado por três pátios de iluminação.
O carácter calmo e suave do interior residia na solução de iluminação que se encontrava profundamente associada à solução estrutural das abóbadas. De facto, estas eram cortadas por estreitas aberturas no topo da curva que eram atravessadas pela luz natural, refletida por peças contínuas em alumínio. Esta qualidade do espaço era reforçada pela contenção no uso dos materiais de revestimento (reduzidos ao travertico, ao betão, ao aço e ao vidro).
Como referenciar: Museu de Arte Kimbell in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-16 15:09:02]. Disponível na Internet: