Nabis

Nabis designa um pequeno grupo de artistas franceses, formado na década de 1880, que, sob influência da linguagem e técnica pictórica do pintor francês Paul Gauguin, procuram um caminho para uma arte espiritual de dimensão universal, constituindo uma das tendências do movimento simbolista. A designação "nabis", derivada termo hebraico "navi" que significa profeta, deve-se ao poeta Cazalis.
Sérusier, enquanto estudante na academia Julian, foi bastante influenciado por Gauguin e procurou divulgar a sua obra e os respetivos fundamentos formais, reunindo em torno de si um grupo de jovens pintores ávidos pela definição de novos caminhos estéticos. A mostra coletiva de pinturas de artistas impressionistas e sintetistas, realizada em Paris em 1889 permitiu a este grupo o contacto direto com uma mais vasta obra pictórica. Mais tarde descobrem a obra de Van Gogh, de Paul Cézanne e de Toulouse-Lautrec. De forma mais ou menos direta, cruzam ainda influências da cultura popular, das estampas japonesas, dos trabalhos de Gustave Moreau (1826-1898) e dos pintores pré-rafaelitas, assim como dos simbolistas Puvis de Chavannes (1824-1898) e Odilon Redon.
De entre os pintores que integraram o movimento destacava-se o grupo formado pela Academia Julian de Paris, liderado por Pierre Bonnard (1867-1947) e Maurice Denis (1870-1943), o teórico do grupo e autor de uma obra de carácter místico com referências à Escola de Pont-Aven. Édouard Vuillard (1868-1940) foi o mais interessante dos pintores formados na Escola de Belas-Artes de Paris.
Bonnard e Vuillard, os artistas mais interessantes do grupo, constituíram uma fação independente, à qual se juntou o pintor Henri Rousseau (1844-1910). Desenvolvem trabalhos que procuram acentuar sensações primitivas através de formas em arabesco e de um cromatismo plano que recusa a sensação de profundidade e dilui o contraste entre figura e fundo. Denotando a influência das estampas japonesas e do japonismo, este grupo anuncia em simultâneo a linguagem pictórica do Fauvismo. Abordaram temáticas que incluíam a paisagem e a cena de género (da cultura parisiense ou da vida familiar).
O suíço Félix Valoton (1865-1925) junta-se ao movimento em 1892, desenvolvendo uma obra que se caracteriza pela representação de figuras alongadas e estilizadas e pela acentuação de uma linearidade de carácter ornamental.
Para além dos pintores, faziam parte do grupo os escultores Lacombe e Aristide Maillol (1894-1944). As suas obras, marcadas ideologicamente pelo culto da beleza e da saúde, representam figuras de forte plasticidade e sensualidade, através do recurso a formas curvas e a uma modelação cuidada.
Tal como se verificava frequentemente nos movimentos artísticos dos finais do século XIX ou de inícios do século XX, a atividade artística não se fixou nas formas expressivas da pintura a da escultura, estendendo-se ao campo das artes decorativas (como o vitral, o cartaz, a ilustração, a gravura) e do teatro. Nesta área é de salientar o trabalho de Félix Valloton que realizou inúmeros trabalhos de gravura a preto e branco e inventou uma novo processo de xilogravura, que permitia a simplificação do traço e da linha.
A Revue Blanche, fundada pelos irmãos Nathanson, constituiu o instrumento de reflexão filosófica e de divulgação de alguns dos trabalhos pictóricos.
Os membros do grupo Nabis expuseram juntos pela última vez em 1899, numa altura em que a acentuação das divergências linguísticas entre as suas obras levaria a que alguns destes pintores se ligassem a outros movimentos, como o expressionismo alemão.
Alguns ensaios críticos e teóricos foram produzidos por alguns dos elementos do grupo, de entre os quais se destacam Denis, com os seus livros Teorias e Novas Teorias, publicados respetivamente em 1913 e em 1922 e Paul Sérusier (1864-1927), que escreveu ABC da pintura, editado em 1921.
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