Nascimento do Sacro Império Germânico

O Sacro-Império Germânico pretendia fazer renascer ou reavivar a unidade da Cristandade ocidental, tal como, teoricamente, existia nos últimos anos do Império Romano.
Foi denominado de "sacro" ou "santo", dado que o Imperador se autoproclamava e reconhecia como braço secular da Igreja, com supremacia sobre o poder temporal, enquanto o Papa era o braço espiritual, o "senhor" da esfera religiosa; "romano", enquanto tradição ligada à ideia imperial de Roma; e "germânico" porque os seus imperadores eram todos alemães.
O Papa, como autoridade espiritual de Deus, e o Império, como força temporal, raramente tiveram uma relação concordante e pacífica. Desde o século VIII, o papado, para se proteger dos Lombardos, era cada vez mais dependente dos Francos. Esta dependência equilibrou-se com a sagração de Carlos Magno em Roma, em 800, por Leão III. Com a decadência do Império Carolíngio, o século X foi dominado pelos sucessos políticos da dinastia otoniana, uma dinastia real de origem saxónica, no poder de 919 a 1024. Otão I, "o Grande" (912-973), fez-se reconhecer rei da Germânia, em 936, e coroar imperador em 962. Otão e a sua dinastia reinaram numa época de extrema fraqueza do poder papal: os imperadores deram-se ao luxo de escolher doze papas e demitir cinco.
Em 936, Otão I estende a sua autoridade através de lutas a cinco ducados: Saxe, Francónia, Suábia, Baviera e Lorena. Em 951, é rei dos Lombardos e, em 955, depois da sua decisiva vitória, em Lechfeld, contra os Húngaros, empreende a expansão do Império para leste, fazendo-se coroar imperador pelo papa em 962. Deste modo nascia o Sacro-Império Romano-Germânico ou 1.o Reich.
Como referenciar: Nascimento do Sacro Império Germânico in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-15 10:53:29]. Disponível na Internet: