Náucratis

Com data de fundação entre os séculos VII e VI a. C., durante a XXVI Dinastia, Náucratis ou Nikratj foi uma colónia grega no Egito, cujo propósito principal foi o de servir de entreposto comercial. O nome de Nikratj é de raiz egípcia (resultando no grego Náucratis), tendo esta cidade, situada no Delta do Nilo, sido inundada por um lago.
Próspera, Náucratis distinguiu-se por não ter sido criada apenas por uma cidade-mãe grega, como era uso, mas por nove (Cnido, Fasélis, Rodes, Halicarnasso, Chios, Fócia, Clazomene, Teos e Mitilene), segundo o testemunho de Heródoto. Assim, as tribos dos Eólios, dos Dórios e dos Jónios tinham representatividade no Hellenion, principal edifício público da cidade. Alguns estudos apontam contudo para uma fundação inicial por colonos originários da cidade de Mileto (Jónia). Segundo o historiador Heródoto, o terreno de implantação da cidade foi cedido pelo rei Amósis II, sendo que alguns estudiosos pensam que o que então fez este governante foi organizar uma comunidade de gregos que já lá existia pelo menos em 688 a. C., segundo testemunhos da altura. Nesta altura, foram-lhes também concedidos privilégios no comércio marítimo para o Egito, através dos quais a cidade enriqueceu e os gregos passaram a ter acesso a produtos egípcios como bens de luxo e grão.
Após a fundação de Alexandria e da implantação e difusão da cultura grega no Egito esta cidade perdeu parte da sua importância, não sendo já o único núcleo helénico no Egito.
As escavações levadas a cabo no século XIX por Flinders Petrie revelaram, entre outras coisas, os restos de uma oficina de ourives e moedas gregas. No final deste mesmo século foi também descoberta a estela de Náucratis, com um decreto de Nectanebo I sobre as taxas a pagar ao templo de Neith, em Sais, pelos bens que fossem feitos na cidade de Náucratis e entrassem no porto da mesma. Ainda se desenterraram vestígios de uma fábrica de escaravelhos e de templos dedicados aos deuses Hera, Apolo, Afrodite, aos Dióscuros, assim como a Toth e a Amon, que tinham como equivalentes gregos Hermes e Zeus.
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