Navarra

Região autonómica no Nordeste de Espanha, encontra-se alcandorada nos Pirenéus e tem uma língua, tradições e costumes maioritariamente bascos.
Foi em Navarra que os Romanos se estabeleceram definitivamente cerca de 74 a. C., quando fundaram a cidade de Pompaelo (Pamplona), depois de grande resistência e dificuldades impostas pelos habitantes da região, denominada usualmente de Vascongadas. As suas comunidades, fortemente aguerridas e arreigadas às suas tradições, como hoje ainda, conheceram relativa independência nos séculos VI e VII, com sucessivas guerras contra os Visigodos desde 412. Pamplona seria conquistada em 711 pelos muçulmanos, que não exerceriam grande influência na região mas permitiriam uma certa autonomia. É neste período que se registam as primeiras tentativas de independência plena, com o entendimento de alguns chefes bascos com os muladis (cristãos que viviam islamicamente entre os muçulmanos da Espanha) do vale do Ebro, semi-independentes do domínio árabe. Esta cooperação entre os dois povos, entalados entre o domínio muçulmano e o dos Francos (que desistem da região com a derrota em Roncesvalles, em 778, optando pela Catalunha), servirá de cenário à declaração de independência do primeiro reino basco de Pamplona, chefiado por Iñigo Arista (770-852), fundador da dinastia Iñiga.
A desagregação do Império Carolíngio a partir de 843 (Tratado de Verdun) diminuirá o perigo franco, depois de uma aliança inicial. Nesta altura, toda a Navarra está cristianizada e é já um reino verdadeiro, entrando na esfera do reino de Astúrias-Leão, o que a torna mais forte perante os muçulmanos, visto os muladis do Ebro estarem agora subjugados pelo califado de Córdova. Depois da sua queda e da tempestade islâmica de Almançor ter passado na Península, Navarra conhece algum esplendor com Sancho III, que amplia o seu território com a conquista de La Rioja, Guipúzcoa e Biscaia, entre outras terras. Navarra é, também, a porta de entrada das correntes feudais europeias na Península, bem como do monaquismo de Cluny, para além de se situar numa rota importante de peregrinação para Santiago. Porém, a morte daquele soberano, em 1035, originará a partilha do reino pelos filhos, a sua desagregação e consequente absorção pelos reinos vizinhos dos seus territórios. Só depois da morte de Afonso I de Aragão, em 1134, se retomará a via da independência em Navarra, quando Garcia V Ramirez restaura o reino. Dá-se, então, uma aproximação a Castela, com o objetivo de tentar reaver territórios antigos. A última participação de Navarra na Reconquista dar-se-á em Navas de Tolosa, em 1212. O contacto geográfico com os muçulmanos já não existe, fechado que estava a sul o reino por Castela e Leão, que cada vez mais pressionavam as fronteiras de Navarra, obrigando os seus soberanos a procurar apoio além-Pirenéus. Esta iniciativa marcará indelevelmente o futuro da monarquia navarra, já que, a partir de 1234, o país será governado sucessivamente por três dinastias francesas: Champagne, Capetos, Evreux. De 1314 a 1328, será mesmo um território francês, retomando depois a independência, estabelecendo-se nessa altura os fueros (privilégios e leis próprias) e as cortes. Porém, mantém-se sob o reinado de dinastias francesas (Evreux) até ao século XV, quando se submete a Aragão pelo casamento de Branca de Navarra com João II de Aragão, em 1419.
Dá-se, no reinado de João II, uma guerra civil entre este monarca e seu filho Carlos de Viana, herdeiro do trono navarro, desenvolvendo-se igualmente uma guerra cruel entre beaumonteses (bascos das montanhas) e agramonteses (povos castelhanizados da planície). Herdará o trono de Navarra sua filha Leonor, que, ao casar-se com Gastão de Foix, passa o reino para aquela família francesa. Em 1512, Fernando, o Católico, ocupa a parte espanhola de Navarra, aquém-Pirenéus, ficando a outra parte do reino independente. A autonomia manter-se-á, contudo, na parte espanhola, não se alterando algumas leis e instituições. Além Pirenéus, a França acabará por anexar a parte norte do velho reino navarro em 1589, acabando com o último bastião independente de Navarra. Nos séculos seguintes, Navarra apoiará o absolutismo e manifestar-se-á conservadora. Na Guerra da Sucessão de Espanha, em meados do século XVIII, apoiará o partido do duque de Anjou, futuro Filipe V.
As invasões napoleónicas (1804-14) exacerbarão o seu nacionalismo. Os seus fueros antigos, porém, serão alterados em 1841, o que faz com que deixe de ser reino (embora integrado no estado espanhol) e passe a província, ainda que gozando de autonomia administrativa e económica. Na Guerra Civil de Espanha (1936-39) alinhará ao lado dos franquistas (movimento fascista liderado por Franco). Dividida entre viver integrada num País Basco autonómico ou seguir a sua marcha histórica separada daquela região, opta pela segunda hipótese, em 1982, transformando-se em Comunidade Foral de Navarra. Apesar de comunidade autonómica separada do País Basco (Euskádi), Navarra tem uma população maioritariamente basca, possuindo padrões sociais e afinidades culturais comuns àquela região.
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