Nazaré

Aspetos Geográficos
O concelho da Nazaré, do distrito de Leiria, localiza-se na Região Centro (NUT II) e no Oeste (NUT III). É limitado a norte, leste e sul pelo concelho de Alcobaça e a oeste pelo oceano Atlântico.
No total abrange uma área de 82,5 km2 e é constituído por três freguesias: Valado dos Frades, Famalicão e Nazaré. Em 2005, o concelho apresentava 14 989 habitantes.
O natural ou habitante de Nazaré denomina-se nazareno.

História e Monumentos
Nazaré surgiu no século XVIII e é constituída por três locais distintos: a Praia, o Sítio e a Pederneira.
A Praia está relacionada com as atividades piscatórias, que hoje em dia estão em crise, tendo levado muitos pescadores a enveredarem por outras profissões.
O Sítio, desde sempre local de refúgio de pescadores contra os ataques de piratas, é um lugar secular de peregrinação e culto ligado a uma lenda que conta que D. Fuas Roupinho, Alcaide-mor de Porto de Mós, gostava de passar o seu tempo livre na Nazaré a caçar e que certo dia foi salvo pela N. Sra. da Nazaré quando o seu cavalo, descontrolado, ia caindo pelo precipício. A partir daí prestou-se-lhe homenagem e mandou-se construir uma ermida em sua memória. No Sítio existe ainda um miradouro que apresenta numa das suas rochas a marca deixada pelo cavalo de D. Fuas Roupinho. A passagem entre a Praia e o Sítio pode ser feita por um elevador mecânico construído em 1889.
A Pederneira foi um dos mais importantes portos de mar dos coutos de Alcobaça, entre os séculos XII e XVI, constituindo um dos estaleiros mais dinâmicos do reino.
Do património cultural surgem vários museus, destacando-se o Museu Etnográfico Dr. Joaquim Manso, com coleções de etnografia, arqueologia, pintura, escultura, fotografia, etc; o Museu de Arte Sacra Padre Luís Nési, que mostra os vários objetos oferecidos pelos peregrinos a N. Sra. da Nazaré; o Centro Cultural da Nazaré com exposições diárias de pintura, trajes e objetos de arte antiga; a Biblioteca Calouste Gulbenkian - Biblioteca Municipal e a Biblioteca da Nazaré.
A nível de igrejas são de realçar a ermida de N. Sra. da Nazaré, que contém a imagem de N. Sra. da Nazaré que dizem ter sido esculpida por S. José e, mais tarde, trazida para Nazaré pelo rei D. Rodrigo no ano de 714. Após a morte deste, a imagem foi esquecida e só encontrada por uns pastores em 1179. É de salientar também a igreja matriz, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de N. Sra. das Areias, a Igreja de S. Gião e a ermida de N. Sra. dos Anjos.
Outros locais de interesse são o paço real, o pelourinho, o Forte de S. Miguel ou farol (séc. XVI), a praça de touros e o teatro Chaby Pinheiro.

Tradições, Lendas e Curiosidades
Todos os anos, desde 1995, realiza-se o Festival de Arte Xávega onde se recria uma lota de areia da praia dos anos trinta, com o pregoeiro e a venda do peixe. São também exemplificados os modos como se pescava, como se arranjavam as redes e se vendia o peixe.
O feriado municipal é no dia 8 de setembro.
A nível de artesanato, sobressaem os trajes típicos da população: para as mulheres, blusas de manga curta com renda em cores vivas, as chinelas, as típicas sete saias rodadas, o avental de seda bordado, o lenço sobre a cabeça conhecido por cachané e o chapéu preto; no traje masculino, destacam-se a ausência de sapatos, as ceroulas de escocês apertadas nos tornozelos, calças de "surrobeco" seguras por faixa preta enrolada seis vezes à cintura, camisa de xadrez e barrete preto na cabeça. Para além dos trajes, são de salientar as bonecas vestidas como as mulheres da Nazaré, os barcos em miniatura, as redes e a cestaria.

Economia
O setor de atividade predominante continua a ser o primário, ligado à pesca da sardinha e carapau, ao artesanato e um pouco à agricultura onde se destaca a plantação de cenouras, batatas, couves, feijão verde e outros produtos hortícolas, principalmente nas freguesias de Famalicão e Valado dos Frades.
As principais indústrias estão relacionadas com a transformação de louças ("Spal") e cerâmica.
A terciarização das atividades tem-se virado para o turismo balnear, relacionado com as praias.
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