Neil Jordan

Realizador irlandês, Neil Jordan nasceu a 25 de fevereiro de 1950 na aldeia de Sligo. Filho de um professor universitário que o proibia de ler livros de banda desenhada, Jordan iniciou a sua carreira como novelista, tendo publicado dois romances. O seu primeiro contacto com o mundo cinematográfico fez-se em 1981, quando o realizador John Boorman o convidou para o auxiliar na elaboração do guião do filme Excalibur (1981). Fez a sua estreia como realizador em Angel (1982), um thriller desenrolado na Irlanda do Norte sobre um saxofonista (Stephen Rea) que se torna testemunha involuntária de um duplo assassinato. O filme passou quase despercebido em termos de exibição comercial, mas marcou o início de uma parceria entre Jordan e Rea, sendo que o ator marcaria presença constante em praticamente todos os filmes do realizador. Já The Company of Wolves (A Companhia dos Lobos, 1984) trouxe-lhe maior notoriedade. Esta adaptação adulta do conto infantil do "Capuchinho Vermelho", protagonizada por Angela Lansbury, mereceu a aclamação da crítica e foi premiada em diversos festivais internacionais, inclusive no Fantasporto. O seu projeto seguinte foi Mona Lisa (1986), um intenso drama sobre um pequeno vigarista (Bob Hoskins) que arranja emprego como motorista de uma prostituta negra de luxo (Cathy Tyson) e que acaba por se apaixonar por ela, apesar do mundo de crime e depravação em que vive. A crítica foi unânime em elogiar Jordan pela sua coragem em retratar o lado mais negro de Londres, salientando também as interpretações de Bob Hoskins (nomeado para o Óscar de Melhor Ator) e de Michael Caine, irrepreensível na composição de um proxeneta. Convidado a filmar em Hollywood, Jordan aceitou o desafio de filmar uma comédia sobre um casal de fantasmas que assombra um castelo irlandês: High Spirits (1988). Apesar da presença de nomes consagrados como Peter O'Toole, Daryl Hannah e Liam Neeson, o filme foi uma tremenda desilusão em termos de resultados de bilheteira, tal como o seu filme seguinte We're No Angels (Ninguém é Santo, 1989), nova comédia com Robert De Niro e Sean Penn. Desiludido com Hollywood, regressou à Irlanda onde produziu e realizou The Miracle (1991), um filme de fantasia baseado numa lenda céltica e The Crying Game (Jogo de Lágrimas, 1992), o título mais célebre da sua filmografia, muito devido às seis nomeações para Óscar que recebeu, entre as quais a de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator (Stephen Rea) e Melhor Ator Secundário (Jaye Davidson). O filme relata o percurso de Fergus (Rea), um terrorista do IRA que aprisiona um soldado britânico (Forest Whitaker) e cria um laço de amizade com ele. Quando este morre num acidente, o terrorista procura Dil (Davidson), a namorada do soldado, acabando por se envolver afetivamente com ela, descobrindo mais tarde que ela é um travesti. O êxito do filme levou-o a voltar a Hollywood onde dirigiu duas grandes produções: Interview With the Vampire (Entrevista Com o Vampiro, 1994) com Brad Pitt e Tom Cruise, e Michael Collins (1996), um épico sobre o líder rebelde irlandês (desempenhado magistralmente por Liam Neeson). Desde então, continuou a filmar nos EUA mas os seus filmes seguintes, como o polémico In Dreams (Premonições, 1999), tiveram uma discreta carreira comercial. Ainda em 1999, Neil Jordan filma The End of the Affair ( O Fim da Aventura), um drama com Ralph Fiennes e Julianne Moore, e, em 2002, The Good Thief (O Bom Ladrão), com a participação de Nick Nolte, Emir Kusturica e Ralph Fiennes, que nos conta a história de um plano para um assalto monumental a um casino, perpetrado por um antigo bem-sucedido jogador.
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