Nélson Freire

Pianista brasileiro, Nélson Freire nasceu no dia 18 de outubro de 1944, em Boa Esperança, no Estado de Minas Gerais, Brasil. Com apenas 3 anos, Nélson começou a tocar piano, interpretando de memória alguns trechos que ouvira a sua irmã tocar. Aos 8 anos de idade, teve o seu primeiro recital, escolhendo, na ocasião, uma das sonatas de Mozart. Em 1957, então com 12 anos, classificou-se na sétima posição do Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro, com uma peça de Beethoven. Ainda nesse ano, tem uma bolsa de estudos do Estado brasileiro que lhe permite a deslocação a Viena para aprender com o maestro Bruno Sidelhofer. Fixando-se na capital austríaca nos anos subsequentes, ganharia o Concurso Internacional de Piano Vianna da Mota, realizado em Lisboa em 1964. Também nesse ano, é agraciado com medalhas de mérito do Estado britânico. A carreira internacional tinha sido inicidada uns anos antes, em 1959, com diversos recitais e concertos nas maiores cidades da Europa, dos Estados Unidos, da América Central e do Sul, do Japão e de Israel. No decurso dessas atuações, tem oportunidade de partilhar o palco com alguns dos mais célebres maestros da música erudita, casos de Pierre Boulez, Charles Dutoit, Valery Gergiev, Hans Graf, Eugene Jochum, Lorin Maazel, Kurt Masur, Rudolf Kempe (com quem fez várias digressões em solo americano e na Alemanha), John Nelson, Vaclav Neumann, Seiji Ozawa, André Previn, Hugo Wolff, Gennady Rozhdestvensky e David Zinman. Além disso, tornou-se convidado regular das mais prestigiadas orquestras mundiais, como a Filarmónica de Berlim, a Orquestra do Concertgebouw de Amesterdão, a Sinfónica de Viena, a Sinfónica de Londres e a Royal Philharmonic, entre muitas outras.

Em 1999, assinalou o 150.º aniversário da morte de Chopin com uma notável interpretação do Concerto para Piano n.º 2, em Varsóvia. Também ficaram célebres as suas performances regulares no prestigiado Carnegie Hall, de Nova Iorque, acompanhado pela Filarmónica de São Petersburgo e, entre outras, a participação no Festival Internacional de Música de Praga, com a Orquestra Nacional de França ou as apresentações com a Orquestra Inglesa de Câmara, com quem passou por alguns palcos portugueses. Na temporada de 2002, realizou alguns concertos sob a direção do maestro Riccardo Chailly, com a Concertgebouw e com a Sinfónica de Milão.

Tendo gravado para a Sony/CBS, a Teldec, a Phillips e a Deutsche Grammophon, receberia um Edison Award pela sua gravação dos 24 Prelúdios de Chopin. Posteriormente, assinou um contrato de exclusividade com a Decca e o primeiro dos trabalhos desse compromisso foi dedicado à obra de Chopin, rendendo-lhe o Diapason d'Or, o Grand Prix da Academia Charles Cros e outros prémios da música erudita. Seria considerado o solista do ano de 2002 nos prémios Victoires de la Musique. Em 2003, a sua vida e obra seriam levadas à tela pelo documentário Nélson Freire, de João Moreira Salles.

Como referenciar: Nélson Freire in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-07-10 23:50:53]. Disponível na Internet: