Nervi

Arquiteto e engenheiro italiano, Pier Luigi Nervi nasceu em 1891, na cidade de Sondrio, Itália. Estudou Engenharia Civil na Universidade de Bolonha, onde se formou em 1913.
Após ter trabalhado para a Societá Per Costruzione Cimentizia (SCC), foi para Roma começando por trabalhar como sócio com Nebiosi entre 1923 e 1932, tendo montado mais tarde uma empresa de construção, onde foi titular juntamente com o engenheiro Giovani Bartoli. Esta atividade prática manteve até 1960, data em que abriu o Studio Nervi juntamente com os seus três filhos. Nervi acompanhou a sua prática profissional com um trabalho de pesquisa e formação teórica baseados em artigos, livros, ensaios e numa ação pedagógica como responsável de uma cadeira associada às técnicas e tecnologias de construção. Lecionou entre meados dos anos 40 e até ao início dos anos 60. A qualidade da sua atividade profissional foi distinguida com a atribuição do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Buenos Aires em 1950.
A sua atividade como docente e a sua investigação teórica possibilitaram-lhe pôr em prática todas as teorias sobre as capacidades estruturais do novo material em fase de exploração - o betão armado. Nervi acreditava que a arquitetura e a engenharia faziam parte de um todo, ou seja, que o ato de projetar e o ato de construir são um só e que era possível obter formas harmónicas e expressivas obedecendo às leis naturais da física. Ao contrário dos arquitetos do Movimento Moderno, pensava que a estrutura poderia ser o edifício em si mesmo e que construir, mais do que um ato racional, podia ser um ato criativo.
Nervi teve um papel muito importante no desenvolvimento da arquitetura moderna, pois a inegável qualidade técnica e expressiva, que foi em toda a sua vida uma preocupação e um aspeto presente em toda a sua obra, internacionalmente reconhecida, fez com que na década de 50 a posição unicamente funcionalista e racional do Movimento Moderno fosse criticada e posta em causa por arquitetos que pertenciam ao principal processo de criação e divulgação deste movimento, o CIAM.
A sua primeira obra importante foi um estádio em Florença com 35 000 lugares (1930-1932), onde a estrutura em betão era já o próprio edifício, tendo visivelmente um valor expressivo.
Após ter vencido um concurso para um hangar para aviões em Orvieto, Nervi repete a execução deste projeto em Orbetello e Tom del Lago, variando aspetos estruturais com soluções sempre diferentes.
As suas obras mais significativas foram a sala de festivais nas termas de Chianciano (1950-1952), a sede da Unesco (1955-1958) para Paris, onde colabora com Marcel Breuer e Bernard Zehrtuss, e ainda a colaboração com Gio Ponti no arranha-céus em Milão para a empresa Pirelli (1955-1958).
Durante toda a sua obra executou grandes coberturas para armazéns industriais, oficinas, hangares de aviões, estações de caminho de ferro, pavilhões desportivos e outros para grandes exposições como, por exemplo, a de Turim.
Para além das obras construídas, Nervi publicou bastantes trabalhos teóricos, tais como A Arte e Ciência da Construção (1945), A Linguagem Arquitetónica (1950) e Novas Construções (1963).
Durante a sua vida foi galardoado com algumas medalhas de ouro, tais como a da Academie d'Architecture. Faleceu em 1979.
Como referenciar: Nervi in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-05-31 22:46:14]. Disponível na Internet: