Nicarágua

Geografia
País da América Central. Banhado pelo mar das Caraíbas a leste, e pelo oceano Pacífico a oeste, faz fronteira com as Honduras a norte, e a Costa Rica a sul. Tem uma área de 129 494 km2. As cidades mais importantes são Manágua, a capital, com 1 186 600 habitantes (2004), León (170 100 hab.), Chinandega (133 700 hab.), Masaya (122 200 hab.), Granada (98 600 hab.) e Estelí (98 200 hab.).

Clima O clima é tropical com uma estação seca, entre janeiro e maio, e uma estação húmida, entre maio e dezembro.

Economia
A Nicarágua tem uma economia baseada na agricultura, na indústria e no comércio. As culturas dominantes são a cana-de-açúcar, o milho, o arroz, a banana, o sorgo, o feijão, a laranja, a mandioca, o café, o ananás, o sésamo e o algodão. A indústria abrange os produtos alimentares, as bebidas, o tabaco, os materiais de construção e os produtos de borracha. Os recursos naturais do país incluem grandes reservas de ouro, de cobre e de prata. As exportações são constituídas pelo café, pelo algodão, pela banana e pelo açúcar. O incremento das exportações dos produtos oriundos da agricultura tem naturalmente reflexos sobre a cobertura vegetal, particularmente a floresta que, na década de oitenta, viu a sua extensão reduzida 2,1% ao ano. Os produtos importados são os bens alimentares, os combustíveis e o equipamento para a indústria e para os transportes. Os maiores parceiros comerciais são os Estados Unidos da América, a Venezuela, a Alemanha e a Espanha.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 0,8.

População
A população era, em 2006, de 5 570 129 habitantes, o que correspondia a uma densidade de aproximadamente 42,2 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 24,51%o e 4,45%o. A esperança média de vida é de 70,63 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,643 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,636 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 7 269 000 habitantes. As principais etnias são a mestiça (69%), a branca (17%) e a negra (9%). A religião com maior expressão é a católica (77%), seguida da protestante (15%). A língua oficial é o castelhano.

História
Cristóvão Colombo chegou ao território em 1502 e, algum tempo depois, foram estabelecidas as cidades de León e de Granada. Durante o período colonial foi desenvolvida uma intensa rivalidade entre as duas cidades. León era a capital de província e desenvolveu-se como um centro liberal e intelectual, enquanto Granada se desenvolveu como centro agrícola. As duas cidades continuaram as hostilidades até 1826, data em que o país se tornou membro das Províncias Unidas da América Central. Em 1838, o país conquistou a independência e abandonou a federação. No século que se seguiu, a política da Nicarágua foi dominada por lutas pelo poder entre os liberais de León e os conservadores de Granada. Por esse motivo, num compromisso assinado em 1857, a capital passou a ser Manágua. Os conservadores governaram durante a segunda metade do século XIX, mas em 1893 os liberais ganharam a presidência e iniciaram uma perseguição ao executivo anterior. Mantiveram-se no poder até 1909, altura em que a pressão dos EUA levou novamente ao poder os conservadores. Para apoiar o novo Governo, foram enviados alguns marines para o território. Em 1925 o destacamento militar retirou-se e a luta entre liberais e conservadores deu origem a uma guerra civil. Os marines foram enviados novamente para o país com o objetivo de pôr fim ao conflito, o que aconteceu em 1927.
Em 1928 e 1932, os EUA supervisionaram as eleições que elegeram dois presidentes liberais. As tropas norte-americanas abandonaram o país em 1933, depois de terem treinado a Guarda Nacional Nicaraguana com o objetivo de manter a ordem interna. No ano seguinte, o chefe da Guarda Nacional, Anastasio Somoza García, instigou o assassinato do líder rebelde liberal, César Augusto Sandino. Em 1936 Somoza ganhou as eleições presidenciais e, durante vinte anos, governou o país com pulso de ferro. No entanto, os seguidores de Sandino continuaram a fazer guerrilha. O presidente foi assassinado em 1956 e foi substituído pelo filho, Luís Somoza. Em 1962 a guerrilha formou a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), com o objetivo de fazer uma revolução e retirar os Somoza do poder. Alguns anos mais tarde, Luis Somoza foi substituído pelo irmão, Anastasio Somoza.
Durante quarenta anos a família Somoza manteve-se à frente de um regime ditatorial, sustentando os próprios interesses comerciais e aumentando a fortuna pessoal. Em 1979, depois de muita violência, o ditador Somoza foi obrigado a exilar-se no Paraguai, onde acabou por ser assassinado. A FSLN estabeleceu uma junta de reconstrução nacional provisória, conduzida por Daniel Ortega Saavedra, que publicou a garantia dos direitos civis e defendeu a criação de um Conselho de Estado, de uma Assembleia e de uma nova Constituição. Em 1989 foi constituído um conselho eleitoral para preparação das eleições de 1990. Depois da vitória de Violeta Barrios de Chamorro, da União Nacional de Oposição (UNO), os rebeldes sandinistas retomaram a luta armada. Seguiram-se vários protestos contra o aumento da inflação, do desemprego e da crise económica generalizada. Graças a ajudas internacionais, a situação foi melhorando e, a partir de 1990, a presidente Violeta Chamorro passou a governar a Nicarágua de uma forma conciliadora.
As eleições de 1996 e de 2001 continuaram na mesma linha, sempre derrotando os sandinistas.
Em 1998, o furacão Mitch abalou grandemente a economia do país que durante os anos 90 tinha recuperado de forma significativa.
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