Nicolau Tolentino

Filho de um advogado da Casa da Suplicação, frequentou largos anos a Universidade de Coimbra sem nunca terminar o curso de Direito.

Em 1767, obteve carta de professor régio de Retórica e de Poética e dedicou-se ao magistério durante largos anos. Todavia, esta profissão depressa o enfastiou e procurou então, por vários meios, ingressar numa carreira burocrática.
Em 1870, foi então nomeado oficial praticante, sem vencimento, da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino e, três anos depois, ascendeu a oficial ordinário da mesma Secretaria.

Tolentino queixou-se amarga e frequentemente da sua penúria financeira, o que lhe valeu o apodo de Poeta Pedinchão, uma vez que nem dinheiro tinha para enterrar um mísero cavalo.

Chegou, no entanto, a ser nomeado cavaleiro fidalgo da Casa Real com uma tença, entrar para sócio da Academia das Ciências e imprimir as suas obras à custa do Estado.

Numa publicação anual da tipografia Rollandiana é que apareceram, entre 1779 e 1783, impressas anonimamente, pela primeira vez, composições de Nicolau Tolentino de Almeida.

Todavia, só em 1801, reunirá ele, em dois pequenos tomos, as suas Obras Poéticas. Anos depois foram publicadas novas edições da mesma obra a que se acresceu um terceiro volume intitulado Obras Póstumas.

A edição das suas obras de 1861, organizada por José Torres, inclui algumas gravuras da autoria de Nogueira da Silva. A sua obra contempla diversas composições - sonetos, odes, cartas e sátiras.

Estas últimas celebrizaram-no a ponto de ele hoje representar, na história literária portuguesa, o papel de "o satírico".

Todavia, as suas sátiras afastam-se das características habituais do género, uma vez que se revestem de um pendor humorista desprovido do intuito de estigmatizar vícios ou defeitos pessoais.

Apresentava-se como um espectador atento da realidade circundante, procurando matéria pitoresca para reproduzir e transfigurar, pelo que nos deixou nos seus sonetos, nos seus memoriais e, sobretudo, nas suas sátiras, crónicas de costumes que preludiavam já uma literatura percorrida por uma galeria de tipos, ao estilo da "comédia humana" que outros autores desenvolveriam mais tarde.
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