Niklas Luhmann

Sociologo lemão, nasceu em 1927, em Lunenburg, e falecido em 1999, foi, enquanto estudante, mobilizado para o exército alemão e feito prisioneiro pelos americanos, em 1945. Libertado no fim da guerra, estudou Direito na Universidade de Friburgo, incidindo o seu estudo, como Max Weber nos seus inícios, no Direito Romano, que quer estudar como investigação, "sem pensar muito no exame final". Depois de uma tentativa de advocacia, iniciou uma carreira de funcionário público, primeiro na sua terra natal, e depois em Hanôver, nos serviços do Ministério da Educação.
Continuando o trabalho investigativo nas suas horas vagas, no início dos anos 60 ingressou na Universidade de Harvard, onde foi aluno de Talcott Parsons e a quem observou desde logo as falhas da sua "teoria de longo alcance".
A partir desta experiência universitária, foi ensinar na Universidade de Munique, mas o seu ensino centrou-se sobretudo na recém-criada Universidade de Bielefeld, onde ocupou a cátedra de Sociologia.
Da sua aprendizagem americana retirou uma posição crítica, que se foi apurando em artigos e obras avulsas até se tornar uma expressão cuidada em Soziale System, que se pode considerar a sua obra mais importante. A sua crítica faz-se em frases simples mas expressivas: "A Sociologia encontra-se numa crise teórica [...] A Sociologia conseguiu instalar-se como uma disciplina que se ensina e se investiga. Mas como disciplina científica está no entanto bastante indisciplinada [...]. A nova Sociologia está insuficientemente desenvolvida [...] Depois de notáveis esforços nos anos 50 e 60, a Sociologia encontra-se hoje numa fase de esgotamento. Agora cuida das suas feridas e deixou de cuidar das suas ambições [...] A Sociologia parou no umbral da teoria".
Depois de ir buscar as causas deste estado de coisas a dificuldades de ultrapassagem do empirismo, e do quantitativo da investigação, encetou os caminhos de uma teoria sociológica geral: "Trata-se da formulação de uma teoria sociológica universal, algo que não se havia tentado depois de Parsons". Para esta realização parte do conceito de complexidade e de um método de redução dessa complexidade. E a escada para a elaborar é proposta numa "teoria de sistemas" concebida numa base de aproximação à cibernética, à "teoria da informação" e à teoria da comunicação, "que melhoram em muitos aspetos as possibilidades de uma adequada descrição da sociedade".
Outras tentativas de aproximação encontram-se na tentativa de elaborar uma "teoria autorreferencial", no sentido das possibilidades advirem dela mesma; e de uma conceção de investigação interdisciplinar, abrangendo a termodinâmica, biologia, teoria das células, estudo dos ordenadores.
Quanto a tendências de estudo, os primeiros tempos de Luhmann vão no sentido do funcionalismo, porque substitui a causalidade por uma equivalência e possibilidade de causas, mudando, desse modo, o fixismo do "infinitas causas, infinitos efeitos" e resolvendo o problema posto pela complexidade. Utilizando um comparativismo de causas múltiplas, ultrapassa do mesmo modo a teoria dos sistemas, dotando-a de potencialidades para poder abordar a complexidade dos "sistemas [que] resolvendo os seus problemas formam as suas estruturas".
Com esta metodologia de abordagem segue os problemas da sociedade, que considera não só formada por homens, mas também pela sua comunicação, mas que, por sua vez, se encontram integrados no meio de sistemas sociais. Não esquecendo, no entanto, a principal dificuldade do próprio estudo sociológico: "O comportamento do Homem é demasiado imprevisível e não se deixa submeter facilmente a leis e regularidades".
É destas constatações que parte para uma verdadeira teoria da comunicação, concebida como tarefa principal da construção da sociedade, que se apresenta, aparentemente, como não dando importância à comunicação, mas sendo esta a principal causa da construção da sociedade, da sociabilização.
Como referenciar: Porto Editora – Niklas Luhmann na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-22 04:30:39]. Disponível em