Nino Manfredi

Ator italiano, Saturnino Manfredi nasceu a 22 de março de 1921, em Castro dei Volsci, Frosinone, perto da capital Roma, e faleceu a 4 de junho de 2004, em Roma, aos 83 anos, após ter sofrido uma hemorragia cerebral em julho de 2003, que o pôs em coma até à sua morte. Formado em Direito, não exerceu esta profissão pois descobriu a sua paixão pelas artes, nomeadamente o teatro e o cinema, tendo-se inscrito na Academia de Arte Dramática. Iniciou a carreira de ator no teatro, trabalhando com o encenador Edoardo de Filippo, tendo também integrado a companhia de Vittorio Gassman.
Foi entertainer no tempo da Segunda Guerra Mundial e estreou-se no cinema em 1949, com um pequeno papel no filme Monasterio di Santa de Mário Sequi (onde usou pela primeira vez o nome Nino Manfredi), tendo participado, ainda no mesmo ano, no filme Torna a Napoli, de Domenico Gambino. Aos poucos, tornou-se uma das figuras mais marcantes da comédia italiana.
Começou a ser um ator conhecido a partir de 1955, quando entrou no filme Les Amoreux, de Marco Bolognini, que lhe permitiu uma presença no Festival de Cinema de Cannes, em França.
Em 1959 conseguiu o primeiro papel de protagonista em L'Impegiato, de Gianni Puccini, para o qual escreveu o argumento.
Já na década de 60 entrou numa série de filmes que fizeram dele uma das estrelas do cinema italiano com reconhecimento mundial, especialmente na área da comédia.
Em 1968 foi uma das estrelas do filme de Dino Risi Straziami, Ma di Baci Saziami e no ano seguinte entrou em Nell'Anno del Signore, de Luigi Magni, onde contracenou com Alberto Sordi e Claudia Cardinale, numa intriga política passada na Roma de 1800.
Com uma filmografia que ultrapassa a centena de filmes, Manfredi trabalhou com grandes realizadores italianos. Para além dos já mencionados, merecem menção: Franco Zeffirelli, em Camping (1957); Vittorio De Sica, em Il Giudizio Universale (O Último Julgamento, 1961), ao lado de Vittorio Gassman; Dino Risi, na comédia Venezia, La Luna e Tu (Veneza, a Lua e Tu, 1958), Il Gaúcho (1965), com Vittorio Gassman, Straziami, Ma di Baci Saziami (1968) e Vedo Nudo (1969); Alessandro Blasetti, em Io, Io, Io…e Gli Altri (1965), ao lado de Gina Lollobrigida e Silvana Mangano; e Franco Brusati, em Pane e Cioccolata (1973), um dos seus filmes mais memoráveis que conta a história de um emigrante italiano que procura ser aceite na Suíça. Trabalhou também com Ettore Scola em vários filmes: C'eravamo Tanto Amati (Tão Amigos Que Nós Éramos, 1974), onde obteve um dos seus maiores sucessos, e, dois anos depois, na comédia dramática Brutti, Sporchi e Cattivi (Feios, Porcos e Maus), um retrato choque da miséria de uma família enorme confinada a viver numa barraca.
Experimentou o outro lado da câmara em 1962 com o segmento L'Aventura di un Soldato, de L'Amore Difficile e, em 1971, realizou Per Grazia Ricevuta(uma sátira anticlerical), merecedor do Prémio Melhor Primeira Obra no Festival de Cinema de Cannes. Em 1981, dirigiu o seu último filme, intitulado Nudo di Donna.
Fez também vários trabalhos para a televisão, com destaque para o muito aclamado papel de Geppetto na série Le Aventure di Pinocchio (1971), uma adaptação da obra de Carlo Collodi.
Em 1984 regressou ao teatro como autor, encenador e intérprete com a peça Viva gli Sposi, repetindo a experiência quatro anos mais tarde em Gente di Facuili Costumi.
Em 2003, recebeu o prémio de carreira do Festival de Veneza, onde foi apresentado o seu último filme, La Luz Prodigiosa, do espanhol Miguel Hermoso. É do mesmo ano o seu último trabalho, o telefilme Un Posto Tranquilo.
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