Nuno Gonçalves

O pintor Nuno Gonçalves foi, durante a segunda metade do século XV, a figura tutelar do panorama pictórico português. Nada se conhece acerca da sua formação artística. Foi chefe de uma oficina e a existência de alguns documentos tornou possível identificar passos fundamentais da sua trajetória e balizar a sua vida entre as datas aproximadas de 1425 e 1491.
A primeira referência documental recolhida data de 20 de julho de 1450, altura em foi contratado como pintor régio de D. Afonso V. Em 1452, o rei aumenta-lhe a tença e, em 1463, através de uma escritura de aforamento de umas casas, atesta-se a sua permanência na capital. Em 5 de agosto de 1470 é-lhe passada uma carta de quitação do pagamento do Retábulo da Capela do Paço de Sintra que o refere como pintor cavaleiro da Casa Real (dado não ser um cavaleiro de estirpe, a honraria concedida por D. Afonso V será justificável à luz da categoria manifestada pela sua obra). Cerca de um ano depois (12 de abril de 1471), o pintor recebe o encargo de substituir João Eanes nas obras da cidade de Lisboa, consoante determinação régia. O último documento que se conhece referente ao artista data de 1492 e menciona-o a título póstumo.
A sua obra mais apreciada, e uma das mais notáveis realizações artísticas do Renascimento, são os Painéis de S. Vicente de Fora, políptico no qual Nuno Gonçalves oferece um belíssimo panorama da sociedade do seu tempo, retratando um conjunto de sessenta figuras em tamanho quase real.
Autor de uma obra que revelou o sentido do indivíduo surpreendendo-o na força da sua interioridade, Nuno Gonçalves ainda hoje suscita opiniões controversas que, por isso mesmo, não deixam de reafirmar a sua notável modernidade.
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