Oaristos

É usual datar-se de 1890, data da publicação do volume de poesia Oaristos de Eugénio de Castro, a afirmação do Simbolismo em Portugal. Com rigor dever-se-ia dizer de um tipo de Simbolismo, com precisão, um simbolismo de matriz essencialmente verlainiana, dado que as "primícias" da "nova maneira do Poeta", teorizadas no seu prefácio e cumpridas nas composições coligidas, insistem essencialmente em aspetos atinentes a uma autonomização do significante linguístico, a um trabalho do estilo, que deveria, fazendo retrair a subjetividade e a inspiração, bem como qualquer intuito social ou pedagógico, traduzir sobretudo um investimento na musicalidade e na construção do poema. A defesa da "liberdade do ritmo", o recurso frequente à "aliteração", a preferência por "raros vocábulos" e "rimas raras" são algumas das reivindicações de carácter formal apresentadas nesse célebre prefácio a Oaristos, a que acresce ainda uma inconsciente assimilação do simbolismo a um "estilo chamado decadente", o que contribuiu, desde o momento da sua afirmação, para uma certa indistinção entre as estéticas simbolista e decadentista. Na sequência deste prefácio, as composições coligidas em Oaristos possuem, como traços mais salientes, a insistência sobre processos fónicos, como o ritmo, a aliteração, os paralelismos; o uso de vocábulos raros que chamam a atenção sobre a superfície sonora da palavra; o recurso à metáfora e ao símbolo enquanto processos geradores unicamente de um efeito de sugestão, de vago, de difuso; e, de um modo geral, um inquestionável pendor esteticista e elitista.
Como referenciar: Porto Editora – Oaristos na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-11-29 20:21:35]. Disponível em