obsessivo-compulsivo

Na psicopatologia do pensamento existe ao nível do conteúdo do pensamento um tipo de perturbação: as ideias obsessivas.
Nas ideias obsessivas existem certas características formais: imposição contra a vontade de ideias que são persistentes, resistência aos esforços do sujeito para evitá-las, as ideias são vividas como estranhas e levam a uma luta interna. Mas quanto maior o esforço para as afastar mais se impõem e conduzem a atos (compulsões).
As compulsões são as ações comportamentais das ideias obsessivas. Estes indivíduos vivem num conflito interno e numa grande ansiedade. Pode-se falar de transtorno obsessivo-compulsivo ou de transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo. A distinção entre ambos baseia-se somente na diferença entre sintomas e traços de carácter persistentes.
O paciente que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo é assediado por pensamentos recorrentes de natureza impulsiva, que o leva a comportamentos ritualistas. Estes são sentidos como problemas pelo sujeito que os tenta resolver.
No caso de transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo, os rituais são padronizados e não sentidos como problemas pelo sujeito. Não o afligem e até são vistos como adaptativos e necessários para o trabalho, visto como perfeccionismo e preocupação com detalhes e devoção laboral.
Os obsessivos, como se recusam a ter afetos, muitas vezes são hipocondríacos, isto porque o que lhes fica por "fechar" é o próprio corpo. Sentem um mal-estar geral e como a parte afetiva está um pouco isolada, é mais fácil explicar esse mal-estar através do corpo.
Compulsão é um comportamento consciente e repetitivo, como contar ou verificar. Frequentemente as pessoas acometidas por este transtorno escondem dos amigos e dos familiares estas ideias e comportamentos, tanto por vergonha quanto por terem noção do absurdo das exigências autoimpostas. Muitas vezes desconhecem que esses problemas fazem parte de um quadro psiquiátrico tratável e cada vez com melhor resposta a medicação específica e à psicoterapia. As obsessões tendem a aumentar a ansiedade da pessoa, ao passo que a execução de compulsões a reduz. Porém, se uma pessoa resiste à realização de uma compulsão ou é impedida de fazê-la, surge uma intensa ansiedade. A pessoa percebe que a obsessão é irracional e reconhece-a como um produto de sua mente, experimentando tanto a obsessão quanto a compulsão como algo fora de seu controlo e desejo, o que causa muito sofrimento. Pode ser um problema incapacitante porque as obsessões podem consumir tempo (muitas horas do dia) e interferirem significativamente na rotina normal do indivíduo, no seu trabalho, em atividades sociais ou relacionamentos com amigos e familiares.
O transtorno obsessivo-compulsivo caracteriza-se pela presença de pensamentos obsessivos ou obsessões que são ideias, imagens, sons, frases, lembranças, dúvidas ou impulsos, usualmente desagradáveis e acompanhados de angústia, que invadem a consciência contra a vontade da pessoa, de forma repetitiva e estereotipada, que, apesar de considerá-los absurdos, estranhos ou exagerados, não consegue afastá-los.
Estes pacientes sofrem de distorções cognitivas: tendem a supervalorizar a importância dos pensamentos como se pensar fosse o mesmo que agir ou desejar; tendem a supervalorizar o risco e as possibilidades de ocorrerem eventos desastrosos (contrair doenças, perder familiares, contaminar-se); tendem a superestimar a própria responsabilidade quanto a provocar ou prevenir eventos futuros; são perfeccionistas, têm necessidade de ter certeza, perdendo muito tempo com a preocupação de fazer as coisas bem feitas e evitar possíveis falhas ou imperfeições, e imaginam modificar o curso futuro dos acontecimentos com a execução dos rituais (pensamento mágico). Cada paciente pode apresentar uma ou mais destas distorções, que são mantidas mesmo quando as evidências são contrárias a elas ou apesar de não terem comprovação na realidade.
Em termos psicanalíticos, existe um superego muito rígido e punitivo, o que leva a que o ego se defenda usando mecanismos de isolamento de afetos e intelectualização. Sofrem de falta de espontaneidade e flexibilidade, prendem-se a detalhes e têm uma incapacidade para tomar decisões que pode estar relacionada com profundos sentimentos de insegurança.
Supõe-se ainda que existam fatores ligados ao tipo de educação (mais ou menos severa ou exigente, incutindo culpa ou não) e ao tipo de cultura social e familiar, que possam também influir na origem de crenças e regras que regem a vida da pessoa criando uma espécie de terreno propício para o surgimento do transtorno. Por estes motivos usualmente associam-se aos medicamentos terapias psicológicas - a terapia cognitivo-comportamental - no seu tratamento.

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