ode

Por ode entende-se toda a composição poética que se relacione com o género lírico e que, cronologicamente, se liga a uma origem na poesia clássica grega.
O seu significado poderá, simplesmente, ser traduzido por "canção", levando a concluir que a ode, de início, seria um poema destinado ao acompanhamento musical, como forma de canto, individual ou em grupo - coro, canto coral.
Relativamente aos temas que normalmente eram tratados nas odes, poder-se-á dizer que eram os mais variados, embora seja de salientar que eram sempre desenvolvidos através de pensamentos sublimes, entusiasticamente apresentados no seu estilo e linguagem castiça. Do grupo de cultores deste género literário de origem grega destaca-se, sobretudo, os nomes de Safo, Alceu, Anacreonte e Píndaro, tendo este último desenvolvido uma estrutura própria nas suas odes que reconhecidamente se distingue por ser aquela que não só mantém vivo o antigo carácter musical do género, como apresenta uma forma que poderá ser considerada o padrão para as bases da literatura europeia.
Através do poeta romano Horácio chega até nós esta ode de origem grega, embora adaptada e alterada em relação à musicalidade (que com Horácio se torna quase nula) e ao ritmo que com ele apresentava uma flexibilidade e uma fluência que melhor se adaptava ao génio da língua latina. Apreendendo na perfeição os metros deste género grego, Horácio tornou-se, assim, no principal veículo de transmissão do fundo e da forma da ode - tal como hoje se conhece - para as chamadas modernas literaturas nacionais.
Analisando em profundidade a ode horaciana vê-se que o seu conteúdo se pode distribuir tematicamente pelas chamadas odes em cívicas - que fazem, sobretudo, a exaltação dos cidadãos -, odes pastoris - as que têm como motivo central os encantos da vida rústica -, odes amorosas, báquicas ou anacreônticas - as que cantam as alegrias da existência humana, física -, e as odes privadas - aquelas que versam assuntos de natureza privada, particular e que, normalmente, são dirigidas a amigos ou familiares, onde o poeta desenvolve considerações de ordem variada, nomeadamente filosóficas ou morais.
O conhecimento e o apreço da ode em Portugal é feito exatamente através da ode de Horácio, de tal forma apreciada que o Renascimento (século XVI) português desde logo manifestou extrema inclinação e gosto pelo cultivo deste género literário. Nomes como Sá de Miranda, António Ferreira e André Falcão de Resende tomaram a Ode horaciana como modelo artístico, imitando-lhe o ritmo, embora, obviamente, atualizando-lhe os temas tratados.
Mais tarde, também o Neoclassicismo (Século XVIII) prova que aproveita o exemplo e a experiência da ode quinhentista do Renascimento para cantar os seus temas. Daqui se destacam os nomes de Reis Quinta (Lisboa, 1728-1770), Cruz e Silva (Lisboa, 1731-Rio de janeiro, 1799) e Correia Garção, tendo este último aproveitado ao máximo o exemplo horaciano chegando mesmo a ultrapassá-lo, criando até uma nova categoria: a ode sacra, sempre dedicada a um santo patrono ou, simplesmente, versando motivos religiosos.
O prestígio e a importância literária da ode é ainda visível entre os poetas modernos, destacando-se os nomes de António Botto e Miguel Torga que, mesmo conhecendo o esquema clássico das odes, dele aproveitam apenas uma parte, recriando-o quase na totalidade, adaptando e refundindo toda a sua estrutura rítmica. Também Antero de Quental, embora num tom, forma, ritmo e conteúdo radicalmente diferentes, em tempos se serviu da ode para dar nome a uma das suas obras poéticas mais conhecidas e estudadas: "Odes Modernas", publicadas em 1865.
Sejam elas gregas, romanas (de Horácio), portuguesas renascentistas, neoclássicas ou modernas, as odes marcam, sem dúvida, uma forte linha de orientação no panorama literário desde a poesia clássica.
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