Olivier Messiaen

Compositor, organista e professor francês, Olivier Eugène Prosper Charles Messiaen nasceu a 10 de dezembro de 1908, em Avignon, França.
Crescendo num ambiente familiar intelectual (o pai era professor de literatura e a mãe poetisa), começou a compor com sete anos e, aos onze, ingressou no Conservatório de Paris, tendo como professores, entre outros, o organista Marcel Dupré e o compositor Paul Dukas. Obteve cinco primeiros prémios nas seguintes áreas: Composição, Contraponto e Fuga, Órgão e Improvisação, Acompanhamento ao Piano e História da Música.
Em 1931, concluiu os seus estudos e foi designado organista da Igreja da Trindade, em Paris, onde o público se regozijava com as suas invulgares improvisações. Um estilo inovador e original surgia nas suas primeiras grandes obras, como Le Banquet Céleste (1928), Offrandes Oubliés (1931) e Quatre Méditations sur l'Ascension (1932). Em 1936, foi designado professor da École Normale de Musique de Paris e da Scholla Cantorum. Nesse mesmo ano, conheceu a criatividade musical de Jolivet com quem fundou, juntamente com os músicos vanguardistas Baudrier e Daniel-Lesur, o grupo La Jeune France, que tinha como finalidade incentivar esse novo estilo de música. Na Segunda Guerra Mundial, entre 1940 e 1942, foi prisioneiro dos alemães, no campo de concentração de Gorlitz, onde compôs e apresentou uma das suas obras mais famosas: Quatuor Pour les Fins du Temps (1941).
Em 1942, foi professor de Harmonia no Conservatório de Paris, onde lecionou uma disciplina de análise e estética da música, criada exclusivamente para o compositor. Teve como alunos futuros músicos de renome europeu, como Pierre Boulez, Yannis Xenakis, Pierre Henry, Karlheinz Stockhausen, Alexander Goehr e Yvonne Loriod (que veio a ser sua esposa).
Grande parte da sua música deixa transparecer uma profunda fé religiosa, especialmente em Trois Petites Liturgies de la Présence Divine (1944) para coro feminino e orquestra; Vingt Regards sur l'Enfant-Jésus (1944) para piano; Visions de l'Amen (1943) para dois pianos; Apparition de l'Église Éternelle (1932) e Messe de la Pentecôte (1950) para órgão; e La Transfiguration de Notre Seigneur Jésus-Christ (1969) para coro e orquestra, obra encomendada pela Fundação Calouste Gulbenkian e que teve estreia no Coliseu dos Recreios, em 1969. Entre os seus mais importantes trabalhos para orquestra, encontram-se Turangalîla-Symphonie (1948) e Chronochromie (1960). Apaixonado pelo canto dos pássaros e após um meticuloso estudo ornitológico, criou obras musicais complexas inspiradas nas sonoridades das aves, como Le Réveil des Oiseaux (1953), Oiseaux Exotiques (1956) e Catalogue des Oiseaux (1959).
Como teórico, publicou Technique de Mon Langage Musical (1944) e Traité du Rythme (1954), onde explicou a originalidade das suas composições, através da análise de princípios de harmonia, de variação e de noções de pedal, de acento, de célula rítmica, entre outros conceitos. Inspirado em Debussy, em Stravinsky e nos representantes oitocentistas da escola francesa de órgão, Olivier Messian revelou, nos seus trabalhos musicais, profundos conhecimentos sobre a tradição da música europeia, mas também da música indiana, da métrica grega e de ornitologia.
Recebeu alguns prémios, como o Prémio Calouste Gulbenkian (1969), o Prémio Ernest Von Siemens (1975), a Medalha de Ouro da Real Sociedade Filarmónica (1975) e o Prémio da Fundação Inomari (1985). De referir ainda que os Estados Unidos da América (EUA), em homenagem ao compositor, substituíram o nome de "White Cliffs", no Estado de Utah (sudoeste dos EUA), por "Mount Messiaen".
Olivier Messiaen, uma incontornável figura da música do século XX, faleceu a 27 de abril de 1992, em Clichy, Haut-de-Seine, na região parisiense.
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