oração

Unidade sintática da gramática tradicional que se situa entre a frase e o sintagma. Os limites da oração confundem-se por vezes com os limites da frase simples, uma vez que uma frase simples é constituída por uma oração, ou seja, por um núcleo predicativo, normalmente manifestado por um sintagma verbal (SV) que atribui uma propriedade ao sintagma nominal (SN) com função de sujeito. Por outras palavras, uma oração é formada por um sintagma nominal-sujeito e por um sintagma verbal-predicado, pelo menos:

Oração = Sujeito (SN) + Predicado (SV)

i) [Os cavalos]SN [galopam] SV. ii) [Os cavalos] SN [deixaram de galopar] SV.
iii) [Os cavalos]SN [têm galopado] SV.

Tradicionalmente costuma dizer-se que a uma oração corresponde um verbo, mas nessa definição não se consideram os verbos auxiliares como autónomos, porque na realidade eles existem em função do verbo pleno, cujo sentido modificam. Assim se compreende que os exemplos ii) e iii) contenham apenas uma oração (deixar e ter).
Assim, a dimensão e estatuto da unidade sintática oração só se compreende dentro da noção de frase complexa, que por definição é formada por pelo menos duas orações articuladas.
Em suma, a uma frase simples corresponde uma oração e a uma frase complexa correspondem pelo menos duas orações. A forma de articulação das orações na frase complexa leva-nos aos conceitos de oração principal e de oração coordenada ou oração subordinada, conforme o tipo de conjunção que a introduza e a natureza da dependência que é criada.
A oração principal é a oração sintática e semanticamente independente à qual se coordenam ou subordinam outras orações dependentes (ex: O ministro declarou [or. principal] que iria reforçar a segurança [or. subordinada]).
Existem duas formas de dependência oracional: a coordenação e a subordinação. As orações coordenadas são introduzidas por conjunções coordenativas e manifestam o seguinte comportamento sintático:

a) ordem linear entre as orações coordenadas não pode ser alterada (cfr. iv))
b) o sujeito da oração principal pode ser omitido na oração coordenada (cfr. v))
c) ligam todos os tipos de constituintes sintáticos com função equivalente (cfr. vi))

iv) *E a Ana foi a teatro, o João ficou em casa.
v) A Maria fez escala em Paris, mas (a Maria) perdeu o avião.
vi) O António e a Manuela analisaram e discutiram o problema.

As orações subordinadas, por seu turno, são introduzidas por conjunções subordinativas e manifestam o seguinte comportamento sintático:

1) a oração subordinada é encaixada na oração principal, passando assim a ser um constituinte, obrigatório ou acessório, da oração principal desempenhando uma determinada função sintática (cfr. vii));
2) a oração subordinada apresenta grande mobilidade na frase(cfr. viii));
3) a oração subordinada denomina-se substantiva ou completiva, se desempenhar funções típicas de substantivos; adjetiva ou relativa, se desempenhar funções típicas de adjetivo; e adverbial, se desempenhar funções típicas de advérbio, geralmente próximas de complementos circunstanciais (cfr. ix, x, xi).

vii) Ele disse [que não ia fazer o trabalho] - Objeto Direto de "dizer"
viii) Embora esteja frio vou às aulas/ Vou às aulas embora esteja frio.
ix) É importante [ajudar as pessoas carenciadas] (Sujeito de "é importante") - oração substantiva.
x) O filme [que eu vi ontem] (Atributo) ganhou um óscar
xi) [Se quiseres] (compl. circunstancial) - oração adverbial, eu vou lá falar com ele.
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