Organicismo

Tal como outros conceitos originários de outros campos do conhecimento e tomados de empréstimo pela crítica arquitetónica, é relativamente difícil precisar o seu alcance e delimitação assim como as suas expressões formais e estéticas. Confirma-se, no entanto, nos mais coerentes trabalhos de recorte organicista, a preferência pelas geometrias mais complexas e pelas formas curvas e integradoras.
O organicismo teve como precursor o arquiteto americano Louis Sullivan (1856-1924), mentor da Escola de Chicago, acompanhando assim o nascimento da arquitetura moderna. Mais tarde, em pleno período Arte Nova, o europeu Henry Van de Velde (1863-1957) desenvolveu uma linguagem impregnada de referências vegetalistas e de linhas curvas, patente por exemplo, no Teatro do Werkbund. Outro dos caminhos seguidos pela arquitetura organicista foi o movimento expressionista que teve como expoente máximo o arquiteto alemão Erich Mendelsohn (1887-1953). A liberdade formal, experimentada nos seus desenhos de juventude, encontrou concretização nos primeiros projetos, como a Torre Einstein, em Potsdam (1921-1924), na qual conseguiu, através do uso de formas curvas integradoras, uma unidade formal de referência biomórfica. Outro dos temas desenvolvidos por Mendelsohn, nomeadamente em edifícios industriais foi o da relação íntima entre as formas e os volumes e a paisagem envolvente.
Um dos protagonistas máximos desta tendência estética foi o americano Frank Lloyd Wright, discípulo de Sullivan. Foi, aliás, este arquiteto que, em 1908, pela primeira vez empregou o termo orgânico enquanto categoria expressiva da arquitetura. Alguns dos seus trabalhos tornaram-se paradigmas da arquitetura organicista, ora pela solução morfológica, como o Museu Guggenheim de Nova Iorque, com a sua grande sala de exposições em forma de rampa helicoidal, ou a Casa da Cascata (1935), expoente da procura de harmonia absoluta entre os vários elementos construtivos e de continuidade fluida entre os espaços assim como da cuidada integração na paisagem.
Hugo Häring, que construiu muito pouco, entendia o conceito de edifício orgânico como algo que se desenvolve de forma espontânea, em perfeita harmonia com a natureza. As suas ideias foram concretizadas por Hans Scharoun, autor da Filarmónica de Berlim e pelo finlandês Alvar Aalto, um dos mais fecundos arquitetos organicistas pela radical rejeição de princípios formais rígidos e determinantes, enveredando pela pesquisa de projetos com base em geometrias complexas que fazem referência a formas naturais e que prestam atenção ao carácter topográfico do terreno e da envolvente construída.
Como referenciar: Organicismo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-11-02 05:18:49]. Disponível na Internet: