Orto do Esposo

Obra de espiritualidade de fins do século XIV, inícios do século XV, de um monge anónimo, escrita "pera proveito e spiritual dilectaçom de todolos simplezes, fiees de Jesu Cristo". Designa-o Orto do Esposo, "scilicet Jesu Cristo, que é esposo de toda fiel alma, porque, assi como em no horto há ervas e arvores e fruitos e flores e especies de muitas maneiras para delectaçom e mantimento e meezinha dos corpos, bem assi em este livro som conteudas muitas cousas pera deleitaçom e meezinha e consolaçom das almas dos homees de qualquer condiçom [...]." Refundindo leituras greco-latinas, patrísticas e da Sagrada Escritura, coligindo histórias, exempla, anedotas, que ilustram e enriquecem a estrutura do fundo doutrinário, o Orto do Esposo deixa transparecer uma visão do mundo essencialmente pessimista, onde o desprezo do mundo apela a uma elevação na vida contemplativa, já que "Nom há cousa sem trabalho sô o sol nem há cousa sem defeito e sem mingoa sô a lua. Nom há cousa sem vaidade sô o tempo" (cap. V).
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