Os Cavalos-Marinhos

"Comédia satírica", a Os Cavalos-Marinhos, peça de estreia de Fernando Luso Soares, subjaz um visível intuito de crítica social e política. Na corte de Neptuno, o deus dos mares é confrontado com um defeito na sua criação, já que, por lapso, estabelecera que são os cavalos-marinhos que devem parir os filhos e não as fêmeas. Entre a necessidade de corrigir essa situação e o receio de expor publicamente um erro que seria justo corrigir, Neptuno opta por indeferir o pedido dos cavalos-marinhos. A comédia termina com um tom trágico colocando em cena o déspota e um filósofo que, compreendendo o drama de Neptuno, o acusa de falta de coragem: "Se não tens virtude para evitar o desespero das criaturas, és um deus sem realidade [...]... e é muitas vezes negro o destino daqueles que se atrevem a pensar".
Como referenciar: Os Cavalos-Marinhos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-20 07:25:01]. Disponível na Internet: