Artigos de apoio

Oscar Lewis
Antropólogo norte-americano, Oscar Lewis nasceu no dia 25 de dezembro de 1914, em Nova Iorque, como quinto filho de uma família recentemente chegada da Polónia. Lewis era, à data da sua morte - 16 de dezembro de 1970 - professor de Antropologia na Universidade do Illinois, em Urbana, e um prestigiado autor de diversos estudos sobre a vida quotidiana de famílias pobres do México, Porto Rico e Cuba.
Oscar Lewis doutorou-se em Antropologia pela Universidade de Columbia (1940), depois de uma primeira formação académica em História. Após ter servido em diversos departamentos do estado norte-americano, como antropólogo e analista social, Lewis iniciou, em meados dos anos quarenta, os estudos que lhe conferiram a sua reputação como antropólogo, dedicados à pobreza em grandes cidades da América Latina. Assim, criou um novo género de análise e de literatura na antropologia, baseado nas biografias dos membros das famílias pobres que acompanhava e estudava. De entre estes relatos, extremamente vivenciais e humanos, mas igualmente ricos em termos científicos, destacam-se The Children of Sanchez (1961), sobre a vida num bairro de lata da Cidade do México, e La Vida (1966), acerca de uma família porto-riquenha. Com esta última obra, Lewis conquistou o National Book Award para o melhor trabalho de não ficção na categoria de ciência, filosofia e religião, em 1967.
Com o seu trabalho, Oscar Lewis permitiu que se desenvolvesse enormemente o conhecimento sobre as condições de vida nas margens de determinadas sociedades, nomeadamente a propósito da difícil transição campo-cidade e outros fenómenos de mudança social. Mas fê-lo de forma inovadora, já que "deu" voz aos próprios visados pelos seus estudos. Foram, aliás, várias as inovações que propôs no campo das metodologias de trabalho de campo, destacando-se o das biografias cruzadas.
Oscar Lewis tornou-se igualmente conhecido pelo polémico conceito de "cultura da pobreza" (enquanto conjunto de traços comuns na vida da generalidade dos pobres por ele estudados), apesar de nunca ter demonstrado grandes preocupações com a construção de uma teoria social própria. A propósito, refira-se que Lewis publicaria, pouco antes da sua morte, Anthropological Essays (1970), em que manifesta satisfação pela sua carreira académica e desprezo pela "grande teoria", num sinal claro do seu vanguardismo científico. Saliente-se ainda que Oscar Lewis sempre defendeu, e praticou, o envolvimento emocional e vivencial com os seus informantes, promovendo, com eles, relações de respeito e amizade assinaláveis.
A grande originalidade do trabalho de Oscar Lewis consistiu na capacidade de produzir estudos antropológicos que se constituem igualmente como obras literárias de extrema qualidade e riqueza, cumprindo ainda o objetivo, sempre perseguido por Lewis, de possibilitar a comunicação entre os muito pobres e os responsáveis políticos e sociais pelo desenvolvimento dos programas anti-pobreza.
Entre as suas obras fundamentais destacam-se:
1951, Life in a Mexican Vilage: Tepoztlán Restudied
1958, Village Life in Northern India: Studies in a Delhi Village
1959, Five Families, Mexican Case Studies in the Culture of Poverty
1964, Pedro Martinez: A Mexican Peasant and His Family
1968, A Study of Slum Culture: Backgrounds for La Vida
1969, A Death in the Sanchez Family
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