Paço Episcopal de Bragança

O antigo Paço Episcopal da cidade de Bragança e atual Museu Regional de Abade de Baçal (batizado com o nome de um dos seus mais insignes diretores) foi erguido no século XVII, numa época em que o bispo titular da Diocese de Miranda do Douro governava a Mitra de Bragança, estabelecendo-se anualmente em Bragança cerca de seis meses.
Contudo, o espaço ocupado por tão ilustres prelados não tinha dignidade suficiente, pelo que houve necessidade de o remodelar e ampliar, aproveitando para tal desiderato as antigas instalações e anexando outras novas. Disso resultou a primeira intervenção do século XVIII, obra patrocinada pelo bispo D. João de Sousa Carvalho. Esta campanha foi contratada e realizada no ano de 1734 pelo carpinteiro António da Costa Soares e o mestre canteiro António Alves Lagido.
A segunda intervenção ocorreu na 2.ª metade do século XVIII, efetuada por D. Frei Aleixo de Miranda Henriques e incidiu sobre o alargamento das construções anteriores e na renovação decorativa da capela episcopal. Na mesma altura, acontecia o complexo processo de transferência do bispado de Miranda do Douro para a emergente e renovada cidade de Bragança, facto que ocorreu entre 1774 e 1776.
Após o triunfo republicano de 1910, o Paço Episcopal brigantino foi abandonado. Em 1915, o edifício recebeu o arquivo do Registo Civil, a Guarda Nacional Republicana e a Biblioteca de Bragança. No mesmo ano, através de um decreto datado de 13 de novembro, instituía-se o Museu Regional de Abade de Baçal, constituído por um diversificado acervo de arte sacra e secular, de etnografia, de arqueologia e ainda as coleções do Museu Municipal de Bragança. No entanto, as coleções deste último só viriam a ser integradas em 1927.
Mas a diversidade de serviços aqui instalados acentuaram a degradação do edifício, já de si maltratado. Em 1928, sendo já diretor do museu o Abade de Baçal, a Direção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.) foi alertada para a deterioração evidente do antigo paço episcopal. Intervenções pequenas não sustiveram as precárias condições do edifício e das interessantes coleções museológicas.
Em 1935, a G.N.R. abandonou as antigas instalações, verificando-se, dois anos mais tarde, o início das campanhas de restauro do edifício, concluídas no ano de 1940. Nesta campanha procurou conservar-se parte do antigo paço episcopal e criar uma certa ambiência de nobre dignidade, própria das solarengas casas setecentistas, embora se tenham introduzido novos elementos que reinterpretaram a anterior volumetria. Para além da remodelação de algumas fachadas e dependências internas, esta reforma da D.G.E.M.N. conferiu ao jardim do museu um harmonioso arranjo, de traçado simétrico e povoado com belos canteiros de buxo.
Em 1993, o Museu de Abade de Baçal recebeu nova intervenção que procurou conservar o anterior ecletismo estilístico, ao mesmo tempo que unificava as suas partes mais dissonantes, conferindo uma lógica expositiva aos espaços de exposição e uma correspondente valorização do seu acervo museológico.
O Museu de Abade de Baçal apresenta, no seu perfil arquitetónico, um carácter genérico marcado pelas intervenções do século XVIII, isto apesar das reformas posteriores. Assim, a fachada nobre é tripartida e contida nos seus elementos estruturais e decorativos, apenas marcada, ao nível da cornija, por um barroco brasão de armas do bispo D. João de Sousa Carvalho - esculpido no 2.º quartel do século XVIII pelo mestre de cantaria João Alves Lagido. A um dos lados abre-se a porta de acesso ao antigo paço episcopal, enquanto a fachada é ritmada no andar nobre por janelas de sacada, protegidas por gradeamento em ferro forjado.
Interiormente, algumas dependências conservam parte da sua configuração setecentista. Assim, no átrio do museu, precedida por arco de volta perfeita, impõe-se uma bela escadaria de granito, terminando numa varanda formada por dois arcos e balaustrada. Duas salas ostentam belos tetos apainelados do século XVIII, de madeira de castanho, inscrevendo-se no centro destes brasões episcopais barrocos.
A capela do paço é uma obra setecentista e está coberta por uma abóbada de berço, de madeira pintada, observando-se nela ilusórias e policromadas composições arquiteturais com grinaldas, enquadrando um outro brasão eclesiástico - obra do pintor local Manuel Caetano Fortuna, provavelmente executada no 3.º quartel do século XVIII. O retábulo da capela episcopal é uma composição do último quartel de Setecentos, com pintura marmoreada sobre a estrutura de madeira entalhada, expondo-se na tribuna uma tela com a representação do Repouso na Fuga para o Egito.
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