Padre Cruz

Religioso português, Francisco Rodrigues da Cruz nasceu a 29 de julho de 1859, em Alcochete. Sempre apoiado por uma família de fortes raízes e tradições católicas, cedo se mudou para Lisboa com o objetivo de fazer os estudos primários. Aos 20 anos concluiu em Coimbra o Bacharelato do curso de Teologia.
Embora a carreira eclesiástica fosse a sua ambição, não lhe foi consentida a ordenação sacerdotal por não ter a idade canónica necessária. Só em 1882, Francisco Rodrigues da Cruz consegue concretizar esse desejo, acalentado por uma natural vontade de se dar aos pobres, miseráveis, doentes, presos e pecadores.
Colocado pelo cardeal de Lisboa como professor de Filosofia no Seminário em Santarém e, mais tarde, como diretor do Colégio de S. Caetano, em Braga, só em 1896 volta para Lisboa como diretor do Seminário de S. Vicente de Fora. É nesta altura que inicia um novo método pastoral, o de pregar e assistir assiduamente todos os doentes e encarcerados. O padre Cruz depressa se tornou numa figura emblemática do Limoeiro, pela ação desenvolvida, junto dos presos e das suas famílias. O alforge, o breviário, o rosário e o chapéu são os emblemas ainda hoje preferidos pelo povo e divulgadores da figura do Padre Cruz para o representar quer em azulejos quer em ex-votos ou pagelas.
Esta sua atividade de bem-fazer torna-se penosa e difícil em 1910, com a instauração da República e consequente perseguição ao clero. O Padre Cruz passa a ser considerado como um perigo para a segurança pública. As grades do Limoeiro (o seu local preferido de apoio e proteção aos desvalidos), que se abriam à sua chegada, encarceraram-no por alguns dias, até que Afonso Costa ordenou a sua libertação e lhe passou um documento que o autorizava a circular livremente por todo o país. Assim, o "Santo Padre Cruz" pode calcorrear todas as aldeias privadas de pároco e chegar até aos bispos exilados pelo poder político de então.
Ganha cada vez mais aderentes à sua missão, maior credibilidade junto da hierarquia católica e rapidamente conquista fama de milagreiro. A sua aceitação pública constituiu um fator de peso para que as aparições de Fátima se vissem mais facilmente legitimadas pela Igreja, dado que era ele próprio um grande impulsionador e defensor da sua veracidade. Em 1913, confessou e deu a 1.ª comunhão à Lúcia de Fátima e, em 1917, rezou com ela e com os outros dois pastorinhos o terço pelas aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Apesar de nunca se ter deixado tentar pela oferta de altos cargos eclesiásticos, o que a sua natural humildade repudiava, perseguia-o uma grande aspiração: a de vir a ser jesuíta, membro da Companhia de Jesus, desejo alcançado apenas nos finais de 1940, aos 81 anos.
Após a sua morte, a 1 de outubro de 1948, o seu jazigo no Cemitério de Benfica tem sido lugar de romagem de pessoas vindas de toda a parte para venerarem e ali depositarem a sua fé. O Padre Cruz, conhecido como "bom samaritano" e "apóstolo da caridade" continua a ser admirado por todo o país, perpetuando o seu nome nas ruas e praças de aldeias, vilas e cidades.
A 10 de março de 1951, começou o processo informativo em ordem à beatificação e canonização do Padre Cruz, que foi entregue à Sagrada Congregação dos Ritos, em Roma, a 17 de setembro de 1965.
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