paisagens geológicas

Numa extensão de território que se abrange com um lance de vista podemos detetar vários tipos de rochas que condicionam a morfologia dos terrenos, isto é, a paisagem. Do ponto de vista morfológico, podemos dizer que as paisagens são condicionadas por dois tipos de rochas, sedimentares e cristalinas, nestas se incluindo as rochas magmáticas plutónicas, do tipo do granito, e cristalofílicas, do tipo do gneisse. As rochas magmáticas efusivas do tipo do basalto, também chamadas vulcânicas, constituem paisagens típicas.

As rochas sedimentares são exógenas, originadas pela destruição de rochas de todo o tipo, por combinação química ou por atividade dos seres vivos, como os corais. A diversidade de constituição das rochas origina diversos tipos de paisagens, de que salientamos as calcárias, as arenosas, as quartzíticas e as xisto-argilosas.
Nas regiões calcárias, principalmente quando a cobertura vegetal é espessa, os agentes de erosão originam uma paisagem com aspeto inconfundível. Este modelado é consequência direta das propriedades físicas e químicas da rocha. Sob o ponto de vista físico, devemos considerar a dureza e a rede de diaclases que se vão alargando sucessivamente em virtude da erosão química. O calcário atacado em toda a sua superficie pela erosão química mostra corrosão mais ou menos profunda, constituindo campos de lapiás.

As cavidades, a princípio pouco profundas e com a forma de escudelas, acabam por se aprofundar e coalescer, formando marmitas. Os campos de lapiás são apenas uma forma da paisagem calcária, também denominada paisagem cárstica ou carso, aportuguesamento da palavra Karst, região da Ístria na antiga Jugoslávia. Outras formas cársticas são os algares, as dolinas e os vales em garganta.

Alguns vales cársicos são denominados vales cegos, porque os cursos de água desaparecem bruscamente, absorvidos por um ou mais algares existentes no fundo, e deste modo não têm saida a não ser em profundidade.

Além das zonas deprimidas, encontram-se nas regiões cársicas planaltos, cobrindo grandes áreas onde a aridez é praticamente completa. A água apenas existe no interior, quer formando mantos, quer redes hideográficas subterrâneas.

A aridez das regiões calcárias reflete-se na vida humana e na economia. As terras aráveis limitam-se ao fundo das dolinas. É em grutas de regiões calcárias que se tem descoberto, com relativa frequência, vestígios da vida pré-histórica.

A paisagem arenosa mostra uma morfologia com extremos aplanamentos revestidos, em boa parte, por pinhais. De onde a onde, os cursos de água cavam profundamente a formação arenosa e colocam a descoberto arenitos e argilas depositados em mares mais antigos. A falta de pedra faz com que as casas sejam, pelo menos em parte, construídas com tijolos de areia e argila.

As dunas, quando sujeitas à ação do vento com direção constante, deslocam-se lentamente e muitas vezes invadem os terrenos cultivados.

As paisagens quartzíticas são peculiares quando se recortam em cristais, constituindo uma das características mais evidentes das serras do Buçaco e de Valongo.

A paisagem xisto-argilosa apresenta uma interminável repetição de colinas arredondadas. É impressionante observar nas regiões xistentas um emaranhado de vales ou simples regos por vezes secos no verão. O solo desta paisagem é delgado e pobre. O seu aproveitamento é pouco intenso, abundando as terras não cultivadas, e a população agricola não se agrupa em grandes aldeias mas em pequenos casais dispersos instalados junto de modestas culturas de cereais.

O modelado das rochas cristalinas apresenta um certo número de características morfológicas gerais: são geralmente impermeáveis, mas os solos derivados são permeáveis, aparecendo por vezes isolados, a constituir cabeceiras dos vales; as correntes de água nestas paisagens são abundantes, cavando vales mais ou menos profundos (esta topografia é característica das regiões cristalinas e domina toda a distribuição de solos aráveis e a fixação de comunidades humanas); a resistência das rochas cristalinas varia não somente na sua forma local mas também em função do clima, sendo por isso dificil estabelecer características específicas relativas ao modelado das rochas cristalinas (neste campo, os conhecimentos são menos de que os relativos às rochas sedimentares).

As rochas vulcânicas diferenciam-se das rochas cristalinas pelo tamanho dos cristais e pela quantidade de matéria mineral cristalizada. Há rochas vulcânicas que são "vidros", como acontece com as escórias projetadas pelos vulcões ou as obsidianas que formam escoadas de vidro negro. Os vulcões constituem um modelado que geralmente não tem relação estrutural com a superficie que recobrem.

A imagem dos cones vulcânicos não deve ser exagerada. Alguns vulcões necessitam de muito tempo para se formarem e fazem-no por erupções sucessivas, interrompidas por periodos de erosão. Por outro lado, cada erupção é uma sucessão de destruições e reconstruções. Os relevos vulcânicos são formados por lavas e materiais de projeção (cinzas e escórias). Os solos resultantes da erosão das formações vulcânicas são, em geral, muito férteis.
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