Palácio Fronteira

Situado no Largo de S. Domingos de Benfica, em Lisboa, o palácio dos marqueses de Fronteira revela três fases distintas na sua edificação. A capela remonta ao século XVI, como o revela uma inscrição com a data de 1584. A segunda fase corresponde à posse por D. João de Mascarenhas, 1.o marquês de Fronteira, tendo sido concluída nos finais do terceiro quartel do século XVII. Finalmente, a última fase decorreu após as destruições provocadas pelo terramoto que assolou Lisboa em 1755, embora tivessem sido apenas obras de pouca monta.
Este requintado palácio, de que se desconhece o arquiteto, apresenta uma traça construtiva renascentista. O portal nobre ostenta a pedra de armas da família Mascarenhas e dá para um amplo pátio, onde se recortam dois exóticos pavilhões quadrangulares com cobertura piramidal. Acede-se a estas construções e aos dois terraços do jardim por uma dupla e formosa escadaria marcada por elegante balaustrada. Defronte do terraço espraia-se um tanque monumental, existindo nas parades que o ladeiam um conjunto de exóticas arcarias, onde se inscrevem painéis de azulejos barrocos azuis e brancos, com motivos equestres. Várias estátuas, evocativas da mitologia greco-romana, povoam o lago artificial e as suas grutas, bem como a balaustrada que corre ao longo do terraço superior.
Azulejos de parede azuis e amarelos decoram a parte superior do terraço, harmonizando-se com diversos nichos contendo os bustos de vários reis portugueses - desde o conde D. Henrique até D. Pedro II. Notável pela sua decoração de painéis de azulejaria dos séculos XVII e XVIII, o palácio apresenta ainda uma segunda galeria exterior decorada por azulejos barrocos figurados, em tons de azul e branco. Estátuas alegóricas às artes e às ciências, bem assim como figuras mitológicas em mármore, preenchem os vãos das arcadas desta alameda, pela qual se alcança a proporcionada e harmoniosa capela renascentista. Entre as arcadas desta galeria são de realçar os medalhões de faiança da Renascença italiana, da autoria das oficinas dos Della Robbia, mostrando bustos de cavaleiros envoltos em policroma cercadura ponteada com frutos, de cariz vegetalista. A fachada posterior do palácio, formado por três corpos reentrantes, apresenta linhas sóbrias e equilibradas, com uma loggia da ordem dórica, esquema que se repete no andar superior. Esta fachada, ornamentada com belíssimos azulejos seiscentistas no andar térreo, estende-se para um jardim com canteiros geometricamente delineados por buxo e ponteados com estátuas alegóricas, convergindo para uma bonita fonte central.
No interior destaca-se a "Sala das Batalhas" - onde se contam, nos seus painéis de azulejo setecentistas, as batalhas de fronteira entre portugueses e espanhóis. As restantes dependências, como a Sala Amarela ou a Sala Vermelha, possuem ainda rica decoração de azulejaria, estuques e pinturas diversas.
O colorido dos azulejos, o verde geométrico dos canteiros, a pedra das estátuas e a frondosa e colorida sombra das árvores confere um ambiente requintado e superlativo a este magnífico palácio da capital portuguesa.
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