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paradoxo
O paradoxo é por vezes a expressão possível de uma realidade contraditória, surpreendente ou inefável. Ao mesmo tempo, a contradição liberta sentidos novos, abre o discurso à transcendência, deixando entrever uma realidade até então desconhecida. Como tal, é uma estratégia abundantemente empregada por poetas de várias línguas e épocas. Camões, por exemplo, quando chama à escrava Bárbara "Esta cativa que me tem cativo", faz, pela contradição e pela surpresa, repensar as relações sociais (que eram as habituais na tradição poética em que se inseria) entre o amador e a coisa amada, e a própria estrutura social em geral, que assim aparece subvertida. Milton, por sua vez, traduz na expressão "darkness visible" ("escuridão visível") a presença dramática do Mal, no seu poema sobre Satanás e a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, Paradise Lost (Paraíso Perdido).
O discurso paradoxal surge também com frequência no âmbito do pensamento filosófico e da experiência religiosa. Atribui-se a Sócrates a frase: "Só sei que nada sei". Com isto quereria ele dizer que conhecia o fundamental, o valor da dúvida. Cristo, por outro lado, terá afirmado: "O meu reino não é deste mundo" - afirmação radical do mistério da transcendência presente no mundo profano.
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