Paraíso

A palavra "paraíso" deriva do termo persa pairi-daeza, que significa "jardim cercado por um muro". O conceito deriva das crenças orientais acerca da ressurreição dos corpos depois da morte. Lugar de beatitude e tranquilidade eternas, é atingido através de uma viagem ascensional da alma, segundo creem a maior parte dos sistemas religiosos ou mitológicos que concebem a ideia de paraíso. Todas as esferas celestes são percorridas pela alma, até esta atingir o Paraíso, ou Éden. A sua crença está muito arreigada às seguintes religiões ou gnoses: Cristianismo, Judaísmo, Islão, Zoroastrismo e Platonismo.
O Paraíso é representado como um jardim fértil e ridente, exuberante e harmonioso, tranquilo e seguro, onde a beleza domina. Uma intensa luz difusa ilumina-o. É povoado de anjos e santos, figuras beatíficas. Os claustros dos mosteiros e conventos, principalmente na Idade Média, com jardins e fontes, árvores e plantas, e espaços fechados (daí claustro, "fechado" em latim) eram uma representação arquitetónica religiosa do horto de delícias que é o Paraíso, da antecâmara terrena das bem-aventuranças e da felicidade eterna, que os monges e monjas pretendiam experimentar em vida, fechados e em contemplação. O Paraíso, para os Cristãos, por exemplo, também conhecido como o Reino dos Céus, é a dimensão espiritual "habitada" por Deus Pai, Jesus Cristo, as Virgens e Mártires, profetas, patriarcas e entidades angélicas. Na tradição judaica é mais simples a ideia de Paraíso, como lugar de perfeição e acolhimento da alma salva da morte e do inferno. Assim é entendido como o lugar onde se dará a ressurreição dos corpos. Só com o profeta Ezequiel é que se consumou a ideia de Paraíso entre os Judeus. Entre os Muçulmanos, a ideia de Paraíso é a de um lugar gozoso, verdejante, pleno de água, como se fosse um oásis, onde um determinado número de virgens espera cada bom muçulmano que tenha falecido, embora a recompensa feminina não esteja tão clara. Rios de leite e mel, de vinho e de doçura, de carne, de tudo aquilo que se sacrificou na Terra, enfim, será encontrado pelo bom crente no Paraíso, além da contemplação eterna de Maomé e de todos os outros profetas anteriores.
Para os Padres da Igreja, as almas dos beatos, ou os que morriam em santidade, atingia o Paraíso, situado no Empireo, uma dimensão da geografia celeste apenas inteligível para os eleitos. A alma desses eleitos viajava ao longo das esferas celestes, cada uma das quais era vigiada por um anjo guardião ou custódio. Esta ideia de ascensão ao Paraíso encontra-se no sonho de Jacob, no Livro do Génesis, em que por uma escada por onde subiam e desciam anjos se poderia ascender ao Paraíso. A mesma imagem de ascensão ocorre em Maomé, no seu miraj, quando o Profeta, em Jerusalém se elevou corporeamente e em espírito para os Céus. O dogma da Assunção, em corpo e espírito também, de Jesus Cristo e de Maria, para os Cristãos, traduz igualmente essa ideia ascensional.
As representações do Paraíso têm variado bastante de época para época. Na Idade Média, predominava uma representação simbólica, baseada na numerologia (quatro rios do Paraíso, por exemplo), nas relações harmoniosas de música e de cores e nas imagens fornecidas pelas Sagradas Escrituras, como o tempo, a cidade (a Jerusalém Celeste) ou a contemplação de Deus. Já o Renascimento optou por uma representação realística, como se fosse um jardim fértil e perfeito, onde se pudesse cultivar os prazeres terrenos, mas numa dimensão espiritual: o canto, a música, a boa e sábia conversação, a dança, a récita poética. Uma imagem retirada da ideia de Idade de Ouro da Humanidade depois do Juízo Final, um mito que está na base do Paraíso terrestre, o Jardim de onde habitaram Adão e Eva, o casal primordial, que perdeu a eternidade e a vida paradisíaca porque pecaram.
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