Paralelismo

O paralelismo constitui uma das características estruturais da lírica galego-portuguesa, consistindo na repetição simétrica de palavras, estruturas rítmico-métricas ou conteúdos semânticos.

Nas cantigas de amigo, o paralelismo consubstancia-se frequentemente no leixa-prem, um processo de articulação estrófica, pelo qual o 2.º verso da 1.ª estrofe é retomado no 1.º verso da 3.ª estrofe, ao mesmo tempo que o 2.º verso da 2.ª estrofe é repetido no 1.º da 4.ª estrofe, e assim sucessivamente, mantendo invariável o refrão, ao mesmo tempo que cada par de dísticos realiza um paralelismo semântico, como, por exemplo, na seguinte cantiga de Martin Codax:
Eno sagrad', en Vigo, bailava corpo velido: amor ey! En Vigo, no sagrado, bailava corpo delgado amor ey! Bailava corpo velido, que nunca ouvera amigo: amor ey! Bailava corpo delgado, que nunca ouvera amado: amor ey! Que nunca ouvera amigo, ergas no sagrad' en Vigo: amor ey! Que nunca ouvera amado, ergu'en Vigo, no sagrado: amor ey. (CV 889)
Também se pode verificar a presença do paralelismo noutras épocas em que se observa a repetição da estrutura sintática da frase, ainda que nem sempre com as mesmas palavras, como, por exemplo, nestas estrofes da poesia "A noiva", de Júlio Dinis:

"Abrem-se as portas. "É ele!" Disse toda a companhia, Porém ilusória esperança! Um pajem só aparecia; E a alva flor da laranjeira
Do véu da noiva caía.

Tristes novas traz o pajem, Que triste o rosto trazia; Fez-se um silêncio profundo Enquanto que ele as dizia, E a alva flor da laranjeira
Ainda por terra jazia.

Dispam-se as galas da festa, Calem-se os sons de alegria, Que morto em cruel combate O noivo... Um grito se ouvia, Junto à flor da laranjeira
A noiva no chão caía.
Como referenciar: Paralelismo in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-09-19 23:34:45]. Disponível na Internet: