Parque Natural da Arrábida

O Parque Natural da Arrábida foi criado a 28 de julho de 1976, segundo o Decreto-Lei n.º 565/76, ocupando uma área de 10 821 hectares. O Parque Natural da Arrábida localiza-se na zona mais meridional da península de Setúbal, assente sobre um maciço calcário litoral de baixa altitude.
O maciço da Arrábida é formado pela sucessão de três linhas de relevo, facto que desde logo lhe confere um carácter particular. Assim, entre as colinas de Sesimbra e de Setúbal, e diante do mar, situam-se as serras do Risco (400 m de altitude) e da Arrábida. Deixando a primeira linha de relevo e caminhando para norte, surgem, entre Setúbal e Azeitão, as serras de S. Luís e dos Gaiteiros, miradouros que abrem a vista sobre o estuário do Sado, e, imediatamente atrás, a serra do Louro. Do cabo Espichel até à barra do Sado a orla é alta e alcantilada, havendo arribas que atingem as muitas dezenas de metros de altura. Na base das arribas e debruçados sobre uma estreita plataforma continental surgem pequenos cabos, praias - Alpertuche, Portinho, Galapos -, enseadas escondidas e grutas marinhas - a Lapa do Médico, a da Greta e a Lapa de Santa Margarida. Geologicamente a Arrábida é constituída por um conjunto de formações que vão do Jurássico ao Mioceno e ao Moderno. Durante parte de Jurássico a região esteve coberta pelo mar, ali pouco profundo, tendo sido no Neojurássico que se iniciou um movimento de emersão, o qual continuou nos períodos seguintes. Os materiais do Neojurássico formam camadas alternantes de arenitos, brechas e calcários, assentes sobre os materiais anteriores à emersão. Durante o Mioceno houve movimentos de transgressão, verificando-se no final desse período a modelação do relevo atual. Foi já no Quaternário, com o abaixamento progressivo do mar, que se verificaram ações de abrasão das falésias, nas fases de acalmia, e de aprofundamento da rede hidrográfica e aumento da erosão sempre que se verificava uma descida do nível médio das águas. Em toda esta zona litoral, a Pedra da Anixa, testemunho do anterior avanço do continente, é hoje um rochedo miocénico, de estratos muito levantados.
Quanto à flora, apresenta espécies arbustivas, como é o caso do folhado, da murta, da aroeira, do medronheiro e do carrasco, da azinheira, do zambujeiro e do carvalho-cerquinho, que atingem dimensões verdadeiramente invulgares. Todas estas plantas, juntamente com estevas, rosmaninhos, sabina-das-praias, alecrins e madressilvas, formam matas quase impenetráveis. De Setúbal a Sesimbra, todo o maciço está envolto por manchas de pinhal e por zonas de charneca com tojos e esteva a cobrir, aqui e além, cabeços e encostas.
A diversidade de condições - mar e terra, alturas e vales, plantas - sugere a presença de uma fauna variada. Nos caules e folhas que cobrem o chão das matas abriga-se a gineta, enquanto a raposa circula na orla das mesmas. As matas albergam diversas espécies de aves, de entre as quais se destaca a toutinegra. Nas zonas de planície formam-se bandos de cotovias, pintassilgos e verdilhões, estorninhos, pombos e tordos e, no inverno, tarambolas e aribes procuram alimento nos terrenos lavrados. Há ainda coelhos, toupeiras, ratos-do-campo e musaranhos, bem como raposas e texugos. As falésias que bordejam o litoral são abrigo da gaivota-agêntea, dos andorinhões, das calhandras e dos corvos-marinhos-de-crista, para além de nelas se poderem observar várias aves de presa - águia-de-bonelli, peneireiro-vulgar e águia-de-asa-redonda.
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