Partido da Democracia Cristã

A Democracia Cristã radica a sua filiação nos partidos de carácter católico, embora estes tivessem outros propósitos próprios de situações em que o Catolicismo perdia a expressão. Por toda a Europa, a partir dos anos 90 do século XIX, assistiu-se à criação e desenvolvimento de partidos de cariz católico, fruto do incitamento do Papa Leão XIII através da Encíclica Rerum Novarum, pois aqui se declarava uma forte intenção de apelo à participação política por parte de todos os Católicos. Fruto deste incitamento, os partidos formados foram adotando a designação de Democracia Cristã, embora não fosse bem aceite pela autoridade papal, pois revelavam uma conotação política que se queria evitar a todo o custo.
No caso português, verifica-se que a primeira referência à Democracia Cristã encontra-se no Centro Académico de Democracia Cristã (1901-1971), mas, de acordo com as ideias referidas anteriormente, não evidenciava qualquer carácter político. Entre outros, fizeram parte deste movimento António de Oliveira Salazar e o Cardeal Gonçalves Cerejeira.
Logo após a Revolução de abril de 1974, surgia a 11 de maio de 1974 o Partido da Democracia Cristã, embora nunca tivesse tido assento no Parlamento. Tendo resultado de uma cisão no seio do Partido Cristão Social-Democrata (PCSD) fundado a 5 de maio de 1974 por António da Cunha Coutinho e Frei Bento Domingues, o partido une-se dias depois a um Partido Democrático Popular Cristão, de Nuno Calvet Magalhães. A 10 de maio já se tinha verificado a dissidência que viria a dar origem ao PDC. No seu ideário afirma-se aberto a todos os portugueses sem discriminação de raças ou credos religiosos. Tinha em vista a defesa do primado do Homem em toda a sua dimensão criadora. Apelava à participação ativa no processo político após o 25 de abril. Defendia as seguintes ideias: a sociedade necessitava de um princípio de ordem que supõe uma hierarquia e a solidariedade de classes; uma democracia personalista; o pluralismo social e ideológico; a democracia comunitária e de participação; a primazia da moral; a afirmação do espiritual; a importância da conceção social cuja fonte é a doutrina social da Igreja; a solidariedade entre os povos; a realização dos princípios sociais cristãos através da ação política democrática.
Enquadrado num período de criação de partidos de resistência, logo após a Revolução, pelos jovens neofascistas, o PDC foi o único que alcançou a legalidade. Apesar disso, foi-lhe vedada a participação nas eleições de 25 de abril de 1975 e a razão invocada foi a participação do secretário-geral, Sanches Osório, nos acontecimentos de 11 de março.
O PDC caracteriza-se como um pequeno partido da extrema-direita que consegue participar nas eleições durante muitos anos (até às eleições para a Assembleia da República de 1991). A tentativa de congregar no mesmo partido elementos associados ao antigo regime e que não conseguiam fazer-se ouvir tem lugar com a coligação ao MIRN (Movimento Independente para a Reconstrução Nacional), nas eleições legislativas de 1980. A tentativa falhou, pois não alcançaram resultados expressivos.
Seguem-se os resultados que o PDC obteve em eleições desde 1975 a 1989:
Eleições para a Assembleia da República (25 de abril de 1976) - 0,54
Eleições para a Assembleia da República (2 de dezembro de 1979) - 1,21%
Eleições para a Assembleia da República (5 de outubro de 1980) - coliga-se com o MIRN - 0,3
Eleições para a Assembleia da República (25 de abril de 1983) - 0,69
Eleições para a Assembleia da República (6 de outubro de 1985) - 0,72%
Eleições para o Parlamento Europeu 1987 - 0,72%
Eleições para a Assembleia da República (19 de julho de 1987) - 0,56%
Eleições para o Parlamento Europeu 1989 - 0,72%
Não concorre às eleições legislativas de 6 de outubro de 1991.
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