Partido Ecologista ""Os Verdes""

Formação política fundada em 1982, então sob a designação de Movimento Ecológico Português "Os Verdes". Foi criado por um grupo de cidadãos motivados pela promoção da intervenção social e militância política em defesa do meio ambiente e da harmonia entre os cidadãos, seus interesses e necessidades quotidianas e a natureza, sem que esta fosse delapidada ou amputada da sua importância. Acima de tudo, pretendia-se despertar as consciências do País para um assunto tradicionalmente esquecido pela população - até então - e politicamente incómodo e pouco atrativo. No entanto, surge também na sequência da expansão e atividade de movimentos e organizações ecologistas estrangeiras, muitas delas já de implantação internacional.
Até 1990, as figuras de maior destaque político e interventivo na sociedade portuguesa, bem como com mais exposição mediática, deste movimento ecologista português foram Maria Santos e Herculano Pombo, para além de Luís Alface, figura do primeiro momento. Contudo, naquele ano os dois primeiros abandonaram o Movimento, seguindo carreiras políticas em outros quadrantes. Entretanto, nessa altura os "Verdes", com o ambiente como estandarte e objetivo primordial, tinham no Partido Comunista Português (PCP), cada vez mais o seu aliado político e eleitoral. Em termos eleitorais, aliás, os "Verdes", então chamados já de Partido Ecologista "Os Verdes" (ou PEV), já primavam por alianças com o PCP, desde a Aliança Povo Unido (APU) até à Coligação Democrática Unitária (CDU), passando, a nível especificamente autárquico, pela Mais Lisboa, coligação entre o PEV, o PCP e o PS, nomeadamente, ainda que com carácter mais imediato. Desde 1987, emparceira com o PCP na CDU, não só em eleições legislativas e autárquicas, como também para o Parlamento Europeu e para referendos, apoiando ainda os comunistas nas suas escolhas de candidatos a eleições presidenciais. Nestas, chegou a apoiar, ainda que de forma mais autónoma, o candidato Salgado Zenha em 1986.
No que concerne a representação parlamentar, o PEV tem assento na Assembleia da República desde 1987, quando Maria Santos se tornou a primeira deputada "verde" a ocupar um lugar no hemiciclo de S. Bento. Depois de abandonar o PEV, Maria Santos candidatou-se pelos socialistas do PS, sendo atualmente deputada por este partido ao Parlamento Europeu. O PEV, todavia, não perdeu representatividade parlamentar, contando com duas deputadas em S. Bento, eleitas na CDU. A base sociológica do eleitorado verde continua a ser essencialmente dominada por jovens, com particular incidência para estudantes universitários, e algumas franjas da classe média intelectualizada. No entanto, a reiterada opção estratégica do PEV (assumida pelos seus líderes) em alinhar com o PCP a nível político, parlamentar e eleitoral, pode, segundo alguns analistas, contribuir para algum afastamento do seu projeto por potenciais eleitores dos "Verdes". A Ecologia, por outro lado, já não é uma bandeira exclusiva do PEV em Portugal, sendo assumida por todos os partidos e por uma grande fatia da população portuguesa como algo importante em termos de presente e futuro da sociedade, pelo menos teoricamente. Os pareceres técnicos e avalizados do PEV em questões de cariz ecológico têm valido, contudo, alguma simpatia de vários setores políticos e de boa parte do povo em geral, sendo a sua intervenção muito aguardada em muitas questões e polémicas ambientais que têm assolado o País, como a sua posição, há muito manifestada, contra a proposta do governo a favor da coincineração de resíduos sólidos em Souselas (Coimbra) e em Outão, em pleno Parque Natural da Serra da Arrábida e junto à Reserva do Estuário do Sado.
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