paternalismo

Com origem na palavra latina pater, que significa pai, o paternalismo pode ser definido como uma atitude que pretende legitimar uma relação de despotismo ou de tirania. Este modelo, retirado das relações familiares entre pais e filhos, é aplicado a relações de poder e submissão que provocam desigualdades económicas, sociais e políticas. Esse poder é tornado necessário e protetor, aos olhos da sociedade, legitimando as restrições à liberdade dos indivíduos.
Os especialistas consideram que existe um elemento de "despotismo" nas relações familiares entre pais e filhos que é legitimado pelo amor e também pela existência, em princípio, da defesa de interesses comuns. Esta relação de domínio traduz-se, na maior parte das vezes, em benefícios reais para o lado que é dominado. Mas por vezes, tal não acontece, e os desequilíbrios de interesses levam à exploração económica, aos maus tratos e outros atentados aos direitos humanos de que as crianças são vítimas tanto nos países ricos como nos países afetados pela guerra e pela pobreza.
Uma das principais características do paternalismo, enquanto ideologia política, é a preocupação em justificar o domínio pela necessidade do dominado, cuja dependência, imaturidade e irresponsabilidade é associada à infância. Como argumento de legitimação, o paternalista age para bem daquele que oprime, quer este seja o seu escravo ou o seu trabalhador. O paternalismo foi amplamente usado, como ideologia, pelas sociedades colonialistas, dotadas de uma "missão civilizadora" de culturas e etnias diferentes, e é ainda hoje muito utilizado nas relações de trabalho entre indivíduos e até mesmo entre culturas, nomeadamente de países ricos em relação a países pobres.
O grau de aceitação da legitimação do domínio por parte daquele que é dominado difere muito da situação, da idade e da relação entre as pessoas. Normalmente, a relação paternalista entre professores e alunos é considerada necessária e aceitável, enquanto que entre senhores e escravos já não o é ou apenas o é enquanto forma de sobrevivência. Durante o período da escravatura, a ideologia paternalista de domínio foi reforçada pelas relações familiares resultantes da miscigenação entre os senhores e as suas escravas.
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