patologia borderline

A patologia borderline é uma perturbação da personalidade também chamada de patologia do limite ou fronteiriça, pela sua proximidade com a psicose. Nesta patologia, os indivíduos quase sempre têm um ego muito incipiente e facilmente se deixam desorganizar pelas tensões provocadas pelo meio. Estas pessoas encontram-se entre uma organização depressiva e a organização psicótica.
Como estas lesões são muito precoces, as manifestações destes estados podem envolver aspetos que se assemelham às situações de psicose, nomeadamente à esquizofrenia. Assim, o contacto que estes indivíduos estabelecem é um pouco esquizoide, com um grande retraimento nas relações pessoais, apresentando perturbações de comportamento que vão muitas vezes parar ao grupo das psicoses.
Desse traumatismo muito precoce resulta que os objetos são sempre divididos em bons e maus, não havendo objetos inteiros, passando com grande facilidade do amor ao ódio, sem crítica. Esta é uma forma de crueldade infantil na apreciação dos outros, que são considerados bons ou maus sem haver meio termo.
Podem-se distinguir duas linhagens dentro desta patologia:

- Esquizofrénica: onde domina uma organização esquizoide; os afetos e as coisas estão muito divididos e sem integração. Os traços característicos são a timidez, intelectualidade, dificuldade de intimidade e relações superficiais. Existem frequentes passagens de objeto para objeto, há uma instabilidade nas relações afetivas ou relações sem profundidade para terem continuidade. Laços fracos de amizade e grande instabilidade na vida em geral.
- Histérica: onde a principal queixa existente é a falta de afeto. Uma das características destes sujeitos é o elevado grau de ansiedade, que é proveniente dos ataques feitos pelo superego ao ego, já que o superego é muito primitivo e por consequência sádico. O ego normalmente é imaturo, não sendo capaz de fazer uma gestão entre as pulsões e as idealizações que forma. Estes sujeitos normalmente mentem muito, têm baixa autoestima e falta de amor próprio. Demonstram quase sempre uma enorme agressividade contra os objetos internos.

Nos dois casos está sempre presente uma grande imaturidade do ego e o recurso à projeção como principal mecanismo de defesa, acusando os outros de o perseguirem, no caso da linhagem esquizofrénica; ou de falta de amor, exibindo grande carência afetiva, no caso da linhagem histérica.
Muitas vezes estes sujeitos para conseguirem diminuir as tensões que sentem refugiam-se no álcool e nas drogas. Vários estudos demonstram que 80% dos toxicodependentes têm estruturas de personalidade deste tipo.
O psiquiatra inglês C. Hugues utilizava, em 1884, o termo "borderline" para definir um grupo de indivíduos que oscilavam entre os limites da demência e da normalidade: "o estado fronteiriço (borderline) da loucura compreende um grande número de pessoas que passam a vida toda próximos desta linha, tanto de um lado como de outro".
Em 1925, o então psicanalista e posteriormente criador da orgonomia, Wilhelm Reich, apresenta uma ampla investigação sobre o funcionamento dos caracteres impulsivos. Reich caracteriza-os como indivíduos que "se entregam sem travão aos próprios impulsos", que funcionam de modo antissocial e que complicam e destroem, sistematicamente, a própria existência. No seu brilhante estudo, Reich concluiu que naqueles peculiares indivíduos as exigências impulsivas eram preponderantemente difusas, não eram dirigidas a objetos específicos, não estavam ligadas a situações determinadas, frequentemente variavam em natureza e intensidade e eram totalmente dependentes das condições do meio.
Em 1938, o psicanalista Adolph Stern faz referência às neuroses borderline, uma patologia que se caracteriza por um narcisismo doentio, hipersensibilidade, reações terapêuticas negativas, sentimentos de inferioridade, masoquismo, rigidez psíquica e física, estado de profunda insegurança orgânica e intensa ansiedade.
Em 1953, Robert Knight apresenta um estudo sobre os estados borderline, utilizando essa expressão para classificar pacientes muito comprometidos psiquicamente mas que não podem ser considerados como autênticos psicóticos.
Robert Knight caracteriza o transtorno de personalidade borderline da seguinte forma:

1. A sensação de abandono causa no borderline uma dor que para ele chega a ser insuportável. Mesmo que este abandono seja imaginário, ou seja apenas fantasia causada por um gesto ou olhar de uma pessoa querida.
2. As relações interpessoais são instáveis e intensas. O borderline possui sentimentos extremos, chegando às duas pontas da variação, ou seja, amor e ódio.
3. Perturbação da identidade. O borderline, em alguns casos, não sabe quem realmente é, que objetivos tem, apenas vive por viver, sem esperança. Não acredita em si mesmo e tem medo do seu próprio eu.
4. O borderline sofre de impulsividade, agindo muitas vezes sem pensar. Isto acontece muitas vezes em coisas simples, como comer um doce, até ações mais graves, como consumir drogas. Sentem a necessidade de fazer e fazem, tendo a sensação de que a mente não pensa, apenas sente.
5. Comportamento suicida ou automutilação. O borderline tem a sensação que toda a dor do mundo está dentro dele, sendo assim, uma das maneiras para resolver isso é acabar consigo mesmo. A dor causada pela automutilação é sentida como um alívio para muitas situações de raiva, ou de desesperança, ou até mesmo para sentir que está vivo.
6. O borderline tem afetos muito instáveis e muda de humor facilmente.
7. Muito usualmente tem sensações de vazio interior muito grande.
8. O borderline costuma sentir raiva inapropriada e exagerada.
9. O borderline sofre de breves episódios de ideação paranoica, relacionada com situações de stress ou de sintomas dissociativos graves.
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