patriarcado

O patriarcado surgiu, muito provavelmente, da divisão das tarefas nos tempos primitivos. A maternidade limitava as mulheres que, grávidas ou amamentando os seus filhos, não dispunham da mesma capacidade física dos homens, tanto na fuga aos predadores como na caça das presas. A sedentarização dos povos e a domesticação dos animais levaram à prosperidade económica e o conceito de propriedade privada, em vez de comunitária, foi determinante para a subordinação económica da mulher, sobretudo porque esta seria responsável por dar continuidade à herança do homem através dos filhos. O controlo da sexualidade e da procriação da mulher por parte do homem levou a que, em muitas sociedades, as mulheres não tivessem quaisquer direitos à propriedade, a qual era transmitida de pais para filhos. Reminiscências dessas épocas são os costumes do dote, dado que a mulher passava a fazer parte da família do seu marido, ou dos ornamentos em ouro que as mulheres do campo ostentam nos momentos festivos e que nos tempos antigos consistiam na sua única defesa, dado que a propriedade era exclusivamente masculina. Ainda hoje, os direitos à propriedade são negados às mulheres nos países islâmicos do Irão e da Arábia Saudita.
O domínio dos homens sobre as mulheres chegou a ser de tal forma que incluía o direito a preservar ou a retirar a vida. Muitas vezes a decisão sobre a vida ou a morte das mulheres pertencia ao Estado. Os antigos reinos da Mesopotâmia foram dos primeiros a aplicarem a ideologia patriarcal e a dar-lhe foros de lei escrita, dado que o código de Hamurábi inclui leis que anulavam a possibilidade de acesso a certos direitos por parte das mulheres. Curiosamente, as únicas mulheres que podiam gozar do direito de possuir e alienar a propriedade ou de possuir negócios eram as mulheres que tinham sido dadas aos credores dos maridos em troca de dívidas. Religiões tão diversas como o cristianismo, o islamismo, judaísmo e o hinduísmo foram determinantes para o aparecimento e continuidade do patriarcado, reforçando a sua necessidade com justificações metafísicas. Na maior parte das religiões, existem fundamentos que sustentam que as mulheres foram criadas por Deus para servirem os homens e gerarem filhos (cristianismo ou judaísmo), ou que sendo mais erotizadas do que os homens tinham de ser controladas de forma que não impedissem a busca masculina da espiritualidade (hinduísmo).
Os exemplos de supremacia feminina em sociedades antigas não pode ser descrito como matriarcal já que essa importância e esse poder nunca foram utilizados para dominar o outro sexo. Existem autores que defendem a existência de sociedades antigas que seguiam modelos mais igualitários e menos patriarcais, mas que foram interpretados por muitos antropólogos e cientistas de forma diferente, ou seja, sob o ponto de vista das suas próprias culturas patriarcais. A maior parte das sociedades desenvolvidas da atualidade seguem o modelo do patriarcado, apesar de as leis internacionais e nacionais promoverem cada vez mais a igualdade de direitos e deveres entre todos os seres humanos.
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