Paulo Ferreira

Artista plástico, Paulo Rodrigues Ferreira, filho de uma varina e de um ferrador, nasceu em 1911, em Lisboa, e faleceu no dia 23 de dezembro de 1999, na sua casa no Estoril. Órfão de pai muito cedo, foi protegido pelo pintor Lucient Lallemant, pela mão do qual entrou no mundo artístico, manifestando logo a sua vocação. Apenas com 5 anos, Columbano organizou-lhe uma exposição e aos 12 anos expôs oficialmente as suas obras. Frequentou muitos ateliers e relacionou-se com os intelectuais da revista Presença (1927-1940). Tem uma vasta obra de artista gráfico e decorador, com numerosos prémios, entre os quais o prémio Amadeo de Souza-Cardoso (1939). Graças ao seu convívio no meio artístico esteve entre os primeiros que, nos anos trinta, se aproximaram do surrealismo e, nos anos quarenta, do abstracionismo, sem que ficasse, porém, obra de destaque nestas tendências modernas. A sua obra caracteriza-se por um estilo variado e sensível, sempre marcado pela simplicidade lírica, característica da década de 1930 em Portugal. Retratos, paisagens, cenas de circo são os temas mais frequentes. A sua pintura conjuga o sentido moderno da cor pura com um trabalhado jogo de valores luminosos, em composições serenas de volumes simplificados e cenas estáticas. Entre um moderado expressionismo lírico e um neoclassicismo simplificado, a pintura de Paulo Ferreira rejeita qualquer radicalismo vanguardista.
Como ilustrador, são de registar os desenhos que fez para literatura infantil, nomeadamente Yratan e Yracema, os Meninos mais Malcriados do Mundo (1939), de Olavo d'Eça Leal, e ainda a ilustração da capa da revista Presença, n.° 50 (1937).
Radicado em França, instalando-se em Paris em 1948, desenvolveu o seu trabalho entre este país e o país de origem, em encontros culturais, do modernismo português.
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