Paz de La Rochelle

Na sequência do massacre de S. Bartolomeu (1572), a sorte dos protestantes franceses, os huguenotes, dependeu em cada cidade da atitude das autoridades e do estado de espírito das populações; em muitos lugares podiam-se ver milícias burguesas (a soldo das edilidades) a participar nos massacres ao invés de manter a ordem. O S. Bartolomeu teve grande repercussão no exterior, elevando o entusiasmo dos católicos e a indignação dos países protestantes, que receberam uma primeira vaga de refugiados huguenotes. Na França, contudo, o partido protestante não foi destruído. Alguns lugares nas mãos dos huguenotes resistiram. Foi o caso de La Rochelle. A cidade, desde sempre, apoiara o partido reformista. Após o massacre, La Rochelle foi sitiada pelas tropas do duque de Anjou, irmão do rei Carlos IX. Porém, após alguns meses, o cerco foi levantado pois o duque foi eleito rei da Polónia e necessitava do apoio dos protestantes alemães. Carlos IX outorgou um édito que confirmava a paz de S. Germain (que dera liberdade de culto em alguns lugares aos protestantes). O Tratado de La Rochelle, assinado a 1 de julho de 1573 entre os sitiados huguenotes e os plenipotenciários do monarca, no entanto, não passava de um armistício momentâneo. É que as feridas abertas pelo S. Bartolomeu tornavam impossível uma política de tolerância no curso de uma geração. Como resultado deste frágil acordo, aos protestantes foi, assim, reafirmada a liberdade de culto em La Rochelle, Nîmes e Montauban, bem como nos castelos de alguns grandes senhores. Todavia, as guerras de religião prosseguiriam pouco depois.
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