Pedro da Maia

É uma das personagens principais do romance Os Maias, de Eça de Queirós. Filho de Afonso da Maia e pai de Carlos Eduardo da Maia e de Maria Eduarda da Maia, suicida-se após a fuga da sua esposa Maria Monforte.
Vítima do meio, com excesso de proteção, da educação típica portuguesa e da hereditariedade, é um fraco, um frustrado, sem capacidade para enfrentar as situações. Pedro da Maia é o melhor exemplo da caracterização imposta pelo romance experimental naturalista. O meio social, de um Romantismo decadente e "torpe", levou-o a vaguear pelos "lupanares e botequins" e a dedicar-se à boémia, ou, em alternativa, às visitas do "lausperene" e outras leituras de "Vidas de Santos". A educação tradicionalista e conservadora de Pedro deformou-lhe a vontade, tornando-o devoto, piegas e fraco, arrastando-o para um casamento apressado, instável e falhado, que acabou no suicídio.

Hereditariamente, o retrato de Pedro assemelha-se em tudo ao de sua mãe, Maria Eduarda Runa, inclusive nos seus estados mórbidos: "Ficara pequenino e nervoso como Maria Eduarda, tendo pouco da raça, da força dos Maias; a sua linda face oval de um trigueiro cálido, dois olhos maravilhosos e irresistíveis, prontos sempre a humedecer se, faziam no assemelhar a um belo árabe. Desenvolvera se lentamente, sem curiosidades, indiferente a brinquedos, a animais, a flores, a livros. Nenhum desejo forte parecera jamais vibrar naquela alma meio adormecida e passiva: só às vezes dizia que gostaria muito de voltar para a Itália. Tomara birra ao padre Vasques, mas não ousava desobedecer lhe. Era em tudo um fraco; e esse abatimento contínuo de todo o seu ser resolvia se a espaços em crises de melancolia negra, que o traziam dias e dias mudo, murcho, amarelo, com as olheiras fundas e já velho. O seu único sentimento vivo, intenso, até aí, fora a paixão pela mãe." (Cap. I)
Como referenciar: Pedro da Maia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-24 03:51:22]. Disponível na Internet: