pelota basca

O jogo da pelota basca, ou pela, é um desporto tradicional em todo o País Basco espanhol e francês e na província de Navarra, que assumiu especial importância a partir do princípio do século XIX. O jogo da pelota era então tão popular que em alguns lugares o seu interesse relegou as corridas de touros para segundo plano. A população apinhava-se para assistir às partidas e faziam-se apostas. A tradição do jogo decaiu, segundo alguns devido à ambição dos jogadores e aos interesses económicos envolvidos, e, no século XX, o futebol substituiu-o definitivamente em termos de popularidade. Apesar de tudo, o jogo da pelota continua vivo e ainda é muito praticado tanto na sua região de origem, como em outras regiões de Espanha.
Existem quatro espécies de jogo da pelota, à largo, à rebote, à trinquete e à blé, que por sua vez se subdividem em jogo à mão, com luva, com pau e com cesta ou chistera.
No início, este jogo começou por ser jogado à largo e tinha lugar em qualquer esplanada, passeio ou campo, desde que o piso fosse apropriado e se pudessem contar uns 100 metros desde o local de arremesso até à meta. As pelotas, bolas pequenas forradas de couro ou tecido, são lançadas de um extremo ao outro do campo de jogos, a cancha, dividido em três partes por duas cordas transversais, a do saque e a do resto, esta última tendo de ser ultrapassada por todos os saques. Uma partida é constituída por vários jogos e cada jogo dividido em quatro quinces, distâncias em que é dividido o campo de jogos, chamando-se a primeira quince, a segunda treinta, a terceira cuarenta e ao ganhar-se a quarta diz-se: um jogo. No jogo à largo, o jogador atira a pelota ao botillo, uma espécie de atril ou estante de pedra ou ferro situado no extremo da cancha. Os restantes jogadores estão no outro extremo e também junto das cordas que dividem o campo. O interesse do jogo e os respetivos incidentes produzem-se devido às rayas, que fazem mudar radicalmente de lugar os grupos opositores de jogadores. Cada pelota arremessada que "morra" no espaço entre o princípio e o final da cancha ou que, arrastando-se diagonalmente, se perca nos espaços laterais que se encontram ao longo do campo, constitui uma raya ou risca. Se a pelota se detém no centro ou de um lado da metade compreendida entre o local de arremesso e a corda, mede-se uma linha perpendicular desde o sítio em que a pelota parou até à linha lateral que constitui a falta e a raya assinala-se ali com uma pequena bandeira, um pau ou uma risca. Se a pelota entra diagonalmente nas linhas laterais, a risca é colocada no ponto por onde passou a pelota que entrou em falta. Feita uma raya, os grupos de jogadores trocam de lugar e é frequente que duas rayas sejam feitas antes que um jogo esteja terminado. A segunda raya produz uma mudança de posição dos grupos de jogadores, sem necessidade de se jogar nenhum outro quince nem de chegar ao cuarenta, condição essencial quando se trata de uma só raya. Para ganhar a raya e com ela o quince, basta que a pelota seja lançada para além da marca da raya sem que o opositor a devolva ou, em caso de devolução, a detenha e a "mate" para além da raya.
Na versão a rebote, a pelota é atirada a uma parede fronteiriça a partir do meio do campo de jogos, onde se coloca o botillo. No jogo a trinquete, ou cancha cerrada, o campo é um local coberto, dividido em duas metades por uma rede transversal por cima da qual passa a pelota. O jogo moderno é a versão à blé e é jogado num local chamado frontón, anteriormente chamado de cancha aberta, que consiste em duas paredes de pedra ou cimento dispostas em ângulo reto e com uma elevação de 12 a 14 centímetros. Uma delas, a frontis, forma a frente da cancha e à sua esquerda estende-se a outra que tem o nome de parede da esquerda ou blé. Esta última divide-se em espaços iguais de 4 metros, os cuadros, assinalados por linhas verticais numeradas. O grupo vencedor é aquele que consegue fazer os melhores lances com um número mínimo de faltas, lançando a bola no campo de tal forma que o grupo opositor não a possa devolver ou a devolva de forma a que o jogador a possa rematar facilmente. Para o lance, o jogador coloca-se de costas para o frontis e atira a bola com a força necessária para que esta suba à altura do ombro e quando desce à altura do pulso é lançada, sem deter o seu movimento, contra o frontis. Este é o tipo de lance mais corrente, havendo outros chamados de cima para baixo ou de baixo para cima. Um bom lance requer muita força, o que confere à bola uma violência extrema, podendo-se tornar bastante perigosa, se manuseada sem cuidado ou atenção.
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