pensamento

O pensamento é marcado por um carácter de universalidade humana. Ele procede por dois mecanismos fundamentais que na terminologia do psicólogo americano Joy Paul Guilford se chamam: o pensamento convergente e o pensamento divergente.
O primeiro é o processamento designado por pensamento realista. Toda a atividade mental submetida a instruções e canalizada para encontrar uma solução única exige o modo convergente, ou seja, o modo de pensamento próprio da informação, da memória e das aprendizagens em geral (por exemplo, é o tipo de pensamento utilizado na situação de como aprender a conduzir um automóvel). É uma forma de pensar mais conformista, cautelosa e rigorosa, própria do humano disciplinado e rotineiro.
Este tipo de pensamento dirigido é tomado como um conjunto de atividades internas apontadas para a solução de um problema. Traduz-se no conjunto de processos que nós usamos para chegar à solução de um problema. O pensamento divergente, segundo mecanismo exposto, caracteriza-se pela originalidade dos processos utilizados para a obtenção de soluções, criando novos "hábitos" no pensamento. É a forma de pensar que perante um problema procura todas as soluções possíveis. Deste modo, ele assenta mais na originalidade do que no conformismo, sendo capaz de aprender novas coisas que escapam à maioria das pessoas e ao tipo de pensamento convergente. É a forma de pensamento vigente na criança na idade pré-escolar, caracterizado por um espírito de aventura e de fantasia (por exemplo, é muito próprio dos artistas e dos criadores).
Pode dizer-se que o pensamento divergente se equipara ao que se conhece como sendo a criatividade.
O pensamento criativo, próprio daquele que é capaz de deixar de funcionar sob hábitos e estruturas adquiridas construindo novas formas e soluções, tem sido um dos maiores alvos de estudo dentro deste âmbito. Alguns psicólogos estudaram o pensamento criativo e concluíram que ele se processa através de quatro fases: a preparação (longa fase de aprendizagem que prepara o aparecimento da solução); a incubação (estudo da maturação relativamente aos dados observados, que ocorre muitas vezes de forma não consciente); a inspiração, iluminação ou insight (o indivíduo descobre a solução ou criação artística); e, por último, a fase da verificação que apenas acontece na criação científica uma vez que na criação artística não é possível dada a sua natureza específica.
Estes dois tipos de mecanismos - o divergente e o convergente - são duas formas de pensamento que se complementam, não funcionando um sem o outro. Por exemplo, o pensamento divergente só funciona se obter material fornecido pela memória e, portanto, pelo mecanismo de pensamento convergente.
Existem diferentes modelos acerca do funcionamento do pensamento. O psicólogo americano John Broadus Watson apresenta o modelo do pensamento como ação motora definindo-o como uma atividade corporal envolvendo reações musculares. Para Watson, os movimentos musculares são condições necessárias para haver pensamento. Este modelo foi criticado porque o pensamento não tem uma base muscular, contudo uma ação motora acompanha, muitas vezes, o esforço mental.
Para os empiristas britânicos, todo o pensamento é composto por imagens que entram e saem do estado de consciência, de acordo com as leis de associação que as ligam. Este modelo foi criticado porque, apesar de a imagem possuir um papel importante no pensamento, este é capaz de se desenvolver sem imagens.
Por último, um outro modelo defendido pela escola de psicologia, caracterizada pelo seu método de introspeção experimental, apresenta o pensamento abstrato que se define pela ideia ou pensamento que carece de conteúdo sensorial (portanto que ocorre sem imagens de referência). De facto este tipo de pensamento existe mas de acordo com o psicólogo americano de origem britânica Edward Bradford Titchener, em qualquer pensamento se pode encontrar traços de conteúdo sensorial.
Ao longo das aprendizagens efetuadas através dos estudos e experiências realizadas, foi possível estabelecer alguns factos acerca do pensamento humano. De entre eles destacam-se três: as pessoas preferem raciocinar acerca de situações concretas, achando o raciocínio abstrato mais difícil - deste modo, temos tendência a evitar o pensamento abstrato; como o raciocínio requer uma interpretação rica em conteúdos mentais, a informação armazenada na memória a longo prazo torna-se fundamental - os problemas são resolvidos de uma forma mais fácil se nós pudermos relacioná-los com o que já conhecemos; por fim, o processo de pensar torna-se mais complicado quando temos que desenvolver modelos alternativos para as mesmas informações - preferimos raciocinar a partir de um modelo único devido às limitações em termos de capacidade da memória a curto prazo.
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