pentecostalismo

O termo pentecostalismo surgiu para identificar e caracterizar um conjunto de seitas religiosas que se desenvolveram especialmente entre as comunidades negras das Caraíbas, Grã-Bretanha e EUA e que se mantêm vivas na atualidade. O fundamento deste culto centra-se na questão do Dia de Pentecostes, daí o nome de pentecostalismo, descrito na Bíblia nos Atos dos Apóstolos, que prenunciava o dia do Juízo Final. Os membros destas seitas, que se identificavam como "santos", deviam aguardar o dia do Juízo Final em que obteriam a salvação das sua almas. Uma das condições era o seu afastamento das pessoas que não pertencessem à seita e a sua separação do "mundo exterior", contaminado pelo pecado, dado que como "povo escolhido" seriam salvos enquanto todos os outros seriam condenados ao Inferno no Dia de Pentecostes.
Nos antecedentes destas seitas esteve um movimento chamado de "batismo nativo", baseado na fusão do cristianismo com religiões tradicionais africanas, que foi difundido tanto nas Caraíbas como nos EUA, nos tempos da escravatura. Os escravos não tinham acesso a um estudo detalhado da religião cristã e por isso eram naturalmente encorajados e levados a criar as suas próprias seitas com modelos aparentemente cristãos mas com essências culturais africanas. Estas religiões eram culturalmente mais próximas dos escravos e depressa se difundiram nas comunidades de cativos, sendo posteriormente substituídas pelo pentecostalismo.
Na Grã-Bretanha, o pentecostalismo foi introduzido com as migrações de caribenhos, nos anos 50 e 60 do século XX, e alimentado como uma forma de defesa e evasão da sua situação de minorias étnicas e culturais.
O crescimento do pentecostalismo verificou-se apesar das restrições que a doutrina impõe aos seus membros, ao proibir o consumo de tabaco e álcool, o uso de joias, cosméticos, palavras grosseiras e a devassidão sexual. Segundo as igrejas pentecostalistas, o contacto com o mundo "de fora" deve ser evitado e os seus membros são levados a ser considerados seres especiais que mantinham uma relação com Deus induzida pelo êxtase, através do qual recebem o "Espírito Santo" e são capazes de falar várias línguas. Estas práticas religiosas foram consideradas como uma fuga às discriminações sofridas pela sociedade, fazendo-os construir um mundo alternativo e ilusório que lhes proporcionaria a sua realização como seres humanos e a sua transformação em seres divinos após a morte.
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