Persas

Fundado pela dinastia aqueménida com Ciro II (556-530 a. C.), da linhagem de Aquemeneu, o imenso império persa conheceu uma singular estabilidade, apesar das revoltas e crises de sucessão real que o agitaram na sua existência. As suas fronteiras quase definitivas foram logo conferidas por aquele imperador: do Mar Egeu ao noroeste da Índia, do Mar Cáspio ao Golfo Pérsico. Ciro respeitará as terras e povos conquistados, sendo clemente e tolerante em termos religiosos e culturais. Depois de tomar a Babilónia, restitui a liberdade aos Hebreus ali exilados e doa-lhes o mobiliário do Templo de Jerusalém, pilhado por Nabucodonosor. Seu flho, Cambises II, adicionará ao império o Egito, falhando depois a investida sobre Cartago; conquista porém a Núbia (a sul do Egito), onde morre à fome com o seu exército. Dário I (522-486 a. C.), seu sucessor, conquista a Trácia (Norte da Grécia) e o vale do Indo, depois de tomar o poder pela força. Ambicionava a conquista da Grécia, mas foi derrotado em Maratona (490 a. C.). O reinado de Dário I, mais do que qualquer outro talvez, demonstra muito bem o contributo persa para a História da Antiguidade, em todos os seus aspetos de civilização. Talvez tenha permitido a introdução do zoroastrismo - religião pregada pelo profeta Zoroastres, adoradora de Mazda, ou Bem, comum na Pérsia - no seu reinado.
No seu esforço organizativo e legislador, com tolerância e grande visão, Dário I governava o império persa, gigantesco aglomerado de povos, línguas e religiões, a partir do palácio de Susa, no planalto iraniano. Unificou primeiro a moeda e as medidas de peso (para favorecer o comércio) e abriu estradas e rotas marítimas. Dos salões do palácio real, à frente do qual estava um vizir (uma espécie de primeiro-ministro), controlava-se com eficácia todo o império. Daí, ordens e decisões eram emanadas para as satrapias - grandes circunscrições territoriais dirigidas por um governador (sátrapa) nomeado pelo imperador, com poderes para recolher impostos, formar exércitos e aplicar a justiça. Foram por Dário multiplicadas e dotadas de pessoal persa. Assistiam-lhes um secretário nomeado pelo soberano e um general comandando o exército de cada circunscrição. Para além destes altos funcionários, uma série de inspetores reais, olhos e ouvidos do imperador, corriam regularmente as satrapias, fiscalizando e aconselhando mesmo na sua administração. Este modelo seria adotado depois pelos Árabes e pelos Indianos. Também uma rede eficaz de "correios" calcorreava as regiões do império, distribuindo correspondência administrativa escrita em aramaico, língua oficial dos funcionários, comerciantes e artesãos (foi, mais tarde, a língua em que se expressou Jesus Cristo), escrita e falada até aos confins da Índia (hoje subsiste apenas numa aldeia síria). Construiu-se, por outro lado, para facilitar a administração do império, uma estrada real ligando Sardo, na Ásia Menor (Turquia), a Susa, a capital, onde entroncavam outras vias terrestres e rotas caravaneiras, algumas ligadas a portos do Golfo Pérsico.
O "Rei dos reis", como era intitulado o imperador persa, saía regularmente do palácio de Susa ou da cidade real de Persépolis com os seus exércitos, donde se destacava a sua famosa guarda pessoal de elite, alcunhada de "10 000 Imortais". Uma sumptuosa corte acompanhava-o também. Todavia, as dificuldades de governo e estabilização no império, a partir de Xerxes I, filho de Dário, aumentarão, sucedendo-se as revoltas em várias satrapias (como no Egito, várias vezes) e os desastres na Grécia (480 ea. C., derrota naval em Salamina). A corrupção e os abusos dos sátrapas surgem cada vez mais, debilitando o império aqueménida, que soçobra perante os exércitos de Alexandre da Macedónia. Este domina-o em 330, mas deixa-se influenciar pela cultura e tolerância persas e segue o seu modelo de administração.
A produção filosófica, literária, científica, a religião e a economia persas sempre foram notáveis, despertando interesses e cobiças. Outros impérios persas existiram mais tarde, como o da dinastia selêucida, após Alexandre (fins do século IV a. C.) e o dos Sassânidas, destruído no século VI d. C. pelo Islão. Nenhum deles, porém, teve a projeção dos Aqueménidas.
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