pessoa (filosofia)

Pessoa tem origem no latim persona, que é "soar através".
A palavra "pessoa" designava a máscara usada por um ator no teatro clássico. Ao colocarem máscaras, os atores desempenhavam uma personagem.
Mais tarde, o termo pessoa teve um sentido jurídico, que servia para designar, no direito romano, aquele que tem uma existência civil e que tem direitos. Depois, o Estoicismo deu à ideia de pessoa um significado moral. O Cristianismo afirma a imortalidade da pessoa, que, por ter consciência dos seus atos, é sujeita a punição e pena. Assim, através da ideia de imortalidade, existe lugar à crença no sujeito e na sua identidade, como ser único dotado de corpo e alma e de características que lhe são próprias, que fazem o conjunto da sua personalidade. Porque tem consciência de si e da sua identidade, a pessoa pode reconhecer-se como autor dos seus atos e com capacidade para julgá-los. Ser uma pessoa é ser dotado de consciência e de razão.
De um modo geral, ser uma pessoa está associado à existência de racionalidade, consciência de si, controlo e capacidade para agir, etc.
Pessoa tem um significado de carácter moral e jurídico, ou seja, é aquele que possui direitos e deveres perante a lei e onde todos os homens têm igual valor. Com Kant, a noção de pessoas, é a de se opor à de coisa. A pessoa é não só um sujeito de direitos, mas também um objeto de dever. Segundo Kant, a pessoa tem um valor absoluto e existe como fim, em oposição às coisas que têm um valor relativo e que são utilizadas como meios de obtenção de algo.
Nos nossos dias, pessoa passou a designar aquele que desempenha um papel na vida. Um dos sentidos atuais do termo é ser autoconsciente ou racional. Este sentido tem precedentes filosóficos irrepreensíveis. John Locke define uma pessoa como "um ser inteligente e pensante, dotado de razão e reflexão e que pode considerar-se a si mesmo aquilo que é, a mesma coisa pensante, em diferentes momentos e lugares".

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