Peter O'Toole

Ator britânico nascido a 2 de agosto de 1932, em Connemara, na Irlanda. É considerado como um dos atores britânicos de maior talento de sempre, especializando-se na construção de personagens carismáticas e fleumáticas. Filho de um corretor de apostas, foi educado em Leeds. Inicialmente almejando seguir a carreira jornalística, abandonou os estudos com 14 anos, tendo trabalhado como repórter para um jornal local. Em 1949, teve o seu primeiro contacto com o mundo teatral, integrando o elenco de uma companhia amadora. No ano seguinte, cumpriu serviço militar na Marinha. Em 1952, conseguiu uma bolsa para estudar na prestigiada Royal Academy of Dramatic Art, tendo sido colega de Richard Harris (viria a ser seu amigo inseparável), de Alan Bates e de Albert Finney. A sua primeira aparição como ator profissional foi numa produção de Hamlet, em 1955, com a Bristol Old Vic. Fez também televisão, tendo alcançando algum reconhecimento pelas peças de Shakespeare transmitidas em direto pela BBC entre 1955 e 1958. A sua estreia cinematográfica fez-se num filme de Nicholas Ray: The Savage Innocents (Sombras Brancas, 1960), mas teve a desdita de ter visto as suas falas dobradas por outro ator. Seguiu-se Kidnapped (Raptados, 1960), um filme produzido pela Disney em que teve uma prestação secundária. A sua grande oportunidade surgiu quando protagonizou Lawrence of Arabia (Lawrence da Arábia, 1962). Apesar da veemente oposição dos produtores que exigiam um ator mais credenciado, o realizador David Lean havia ficado impressionado com o magnetismo que O'Toole demonstrara em palco durante uma representação de Hamlet em Londres. O filme foi um sucesso à escala mundial e catapultou a carreira de O'Toole através da sua nomeação para o Óscar de Melhor Ator. Foi a primeira das suas sete nomeações para Óscar, fazendo de O'Toole, juntamente com Richard Burton, o ator com maior número de nomeações, sem nunca ter ganho um Óscar a nível competitivo. As outras nomeações vieram por outras prestações inesquecíveis (pela figura do rei Henrique II que desempenharia em dois filmes diferentes): em Becket (1964) -ao lado do seu velho amigo e companheiro de bar Richard Burton-, e em The Lion in Winter (O Leão no inverno, 1968), fazendo uma dupla magnífica com Katharine Hepburn. Outros desempenhos notáveis foram o de Arthur Chipping, um professor em Goodbye, Mr. Chips (Adeus, Mr. Chips, 1969), de Jack, um nobre excêntrico que crê ser a reencarnação de Cristo em The Ruling Class (A Classe Dominante, 1972), de Eli Cross, um tirânico realizador de cinema em The Stunt Man (O Fugitivo, 1980) e Alan Swann, um ator alcoólico em My Favourite Year (O Meu Ano Favorito, 1982). Ironicamente, a carreira de O'Toole quase tinha ficado destruída em finais da década de 70, devido aos seus problemas de alcoolismo, situação que tranpôs para o filme O Meu Ano Favorito. A partir de finais da década de 80, O'Toole começou a dedicar-se mais à televisão e ao teatro, rareando as suas aparições cinematográficas. Dos seus últimos trabalhos em cinema destacam-se The Last Emperor (O Último Imperador, 1987), a comédia King Ralph (O Primeiro Rei Americano, 1991), o filme de terror The Manor (A Mansão, 1999) e o épico Troy (Troia, 2004). Dos seus trabalhos televisivos, destacam-se o seu Bispo Cauchon em Joan of Arc (Joana D'Arc, 1999) e a figura do primeiro imperador romano em Imperium: Augustus (Octávio César Augusto, 2003). Em 2003, foi agraciado com o Óscar Honorário pela Academia como forma de homenagear a sua carreira, distinção que O'Toole aceitou relutantemente, alegando que ainda desejava ganhar um Óscar de forma competitiva.
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