Pio IX

Papa italiano, esteve à frente da Igreja Católica entre 16 de junho de 1846 e 7 de fevereiro de 1878 (data de óbito), um período de "ferro" no mundo e principalmente na Cristandade, cada vez mais abalada pelas críticas do modernismo e pelo avanço do laicismo, a par das doutrinas e ideologias socialistas e dos movimentos sociais e políticos delas decorrentes.
Chamava-se Giovanni Maria dei conti Mastai Ferretti, nascido em Senigallia, junto a Ancona (Itália), a 13 de maio de 1792, profética data mariana face ao seu pontificado todo ele também orientado para Maria e pleno de proféticas denúncias e escritos. Foi contemporâneo de figuras como Proudhon, Marx, Engels, Comte, Nietzsche, Darwin, Mettternich, Cavour, Bismarck e Napoleão III, entre outros, o que reforça a ideia de tensão e lutas que no seu pontificado se registaram e em que Roma teve um papel ativo.
Ordenado sacerdote em abril de 1819, G. Mastai iniciou uma carreira diplomática ao serviço da Santa Sé em 1823, em países hispano-americanos. Arcebispo de Spoleto em 1827, de Imola em 1832, recebeu a púrpura cardinalícia em 1840, sendo elevado ao pontificado seis anos depois, depois de quatro escrutínios, com 36 votos dos 50 cardeais em conclave. Tinha então 54 anos. Iniciou o seu pontificado logo com a redação de uma encíclica, Qui pluribus, em que denunciava o comunismo como contra o direito natural: curiosamente, dois anos depois, surgia o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels. Entre 1846 e 1848 empreendeu grandes reformas nos Estados Pontifícios, principalmente em Roma, onde empreende obras públicas e alterações administrativas. Nesse ano de 1848 manifestou-se também contra a guerra à Áustria, no que se distanciou da linha da sua família, começando então as dificuldades do seu magistério pontifício, que tiveram logo como efeito o seu exílio em Gaeta até 1850.
A sua primeira grande iniciativa doutrinal ocorreu a 8 de dezembro de 1854, quando proclamou a definição do dogma da Imaculada Conceição. A partir de 1860, iniciou-se a redução progressiva dos territórios dos Estados Pontifícios, sem que Pio IX pudesse contrariar. Todavia, doutrinalmente era cada vez mais ativo e determinante, definindo conceptual e ideologicamente a figura moderna do Sumo Pontífice. Assim, em 1864, condena abertamente o liberalismo ou a "moderna civilização", como referiu na encíclica para tal lavrada, Quanta cura, à qual anexou um compêndio de erros deduzidos à ideologia liberal, o Syllabus. A doutrina da Igreja ficava assim incompatibilizada com o liberalismo e o modernismo e todas as correntes políticas derivantes. De recordar que desde 1 de julho de 1861 a Santa Sé tinha um órgão oficial de informação, que ainda hoje existe, o Osservatore Romano.
A 8 de dezembro de 1869 abria os trabalhos do Concílio Vaticano I, que apenas se concluiria em julho do ano seguinte, ano em que o papa se enclausurou voluntariamente no Vaticano, em resposta à tomada de Roma pelas tropas da Unificação de Itália. Os Estados Pontifícios ficavam a partir de então resumidos ao Vaticano, como ainda hoje. Daquele concílio registe-se um outro instrumento de afirmação do poder papal, o do magistério infalível, ou Infalibilidade. Pio IX foi ainda promotor de diversas expressões cultuais modernas, como a do sagrado Coração de Jesus (1875). Noutro domínio eclesiástico, foi também Pio IX decisivo: o da restauração e renovação das ordens religiosas, como os Jesuítas, que em 1846 eram cerca de 4500 e em 1878, ano da sua morte, mais de 11 500. Grande foi também o impulso às Missões ultramarinas e expansão da Igreja no mundo (criou 206 novas dioceses).
Concluindo, Pio IX foi pois o papa do reforço da autoridade moral e espiritual dos pontífices, agora que o seu poder temporal fora reduzido pela unificação italiana; da moralização e formação da nova imagem dos clérigos e bispos; da universalização da Igreja; do estímulo às devoções; da unidade dos católicos em torno do papa. A 3 de setembro de 2000 foi beatificado pelo papa João Paulo II.
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