plantas (simbologia)

As plantas, ou reino vegetal, englobam mais de 400 000 espécies, entre ervas, árvores, arbustos, plantas microscópicas, flores, entre outras. As plantas têm várias significações, uma força simbólica ancestral e um dos elementos vitais no desenvolvimento humano. Todas as civilizações e religiões têm as suas plantas sagradas ou vitais. A simbólica das plantas é essencialmente de carácter mágico, funerário ou mortal, erótico - ou sexual – e religioso. Esta importância simbólica das plantas prende-se com o seu uso.
O carácter mágico das plantas tem nas árvores sagradas, como o carvalho (por exemplo, entre os Celtas), e nas ervas ligadas aos sacrifícios ou rituais uma importância religiosa e cultural proeminentes. São as plantas mágicas, manifestações botânicas dos deuses, com propriedades extraordinárias, poderes que alimentam crenças e superstições. A kuça, uma espécie de verbena indiana, é um exemplo destas plantas mágicas, usada em rituais hindus, védicos, além de possuir propriedades curativas e de proteção. O mesmo diziam os Antigos da menta, como Estrabão, que lhe conferia propriedades e virtudes. As lágrimas de Ísis, ou de Mercúrio, era um dos nomes que os Egípcios e Romanos davam à verbena, atribuindo-lhe poderes mágicos, tal como a arruda, a erva predileta das mulheres, protetora contra os venenos e a bruxaria. A mandrágora foi uma das plantas mágicas por excelência, com propriedades afrodisíacas e fecundativas, mas alucinogénia e muito usada pela feitiçaria no fabrico de unguentos. E, dentro das mágicas, porque não referir a planta que ocultava segredos dos deuses no Antigo Egito e fez com que Ulisses conseguisse que os seus súbditos esquecessem a pátria, Ítaca: falamos do lótus, a planta que fazia com que se superassem os encantamentos mágicos.
As plantas com simbologia e uso funerário foram também desde sempre temidas mas muito empregues, devido aos seus poderes malignos e cores obscuras, ou por se ligarem à Morte. São as plantas que ornam os cemitérios ou lugares de enterramento, muitas delas tóxicas, como a adelfa, mas quase sempre o símbolo da eternidade, da vida no Além. A rainha destas plantas é uma árvore, o cipreste, que simboliza tanto o ato de criar como a morte ou a vida eterna. Árvore da morte mas da imortalidade também, da dor dos que choram os mortos mas também da esperança na imortalidade, o cipreste é símbolo ainda da incorruptibilidade, a par do cedro, cujas madeiras se conservam durante muito tempo. A simbologia erótica é outra das facetas atribuídas às plantas, inspiradoras do amor, como a “soma” indiana (erva), a rainha das plantas para os hindus, surgindo nos textos védicos (textos sagrados hindus) com a conotação de símbolo sexual. Também as rosas na Índia (no Punjab) tinham essa virtude, como a mandrágora no Ocidente, ou a “provinsa”, uma erva siciliana com dotes afrodisíacos já assinalados na Idade Média. As orquídeas, as mandrágoras ou as valerianas, por exemplo, são também plantas com tradição de terem poderes sexuais. As plantas eróticas têm também poderes diabólicos, como os Gregos Antigos já revelavam, através da lenda de Hécate, deusa grega, mãe de Medeia e de Circe, às quais ensinou os poderes terríveis de plantas como a inevitável mandrágora, mas também as beladonas, o sésamo, a azálea, a pimenta da Etiópia ou a menta, entre outras, com qualidades boas mas também más, cujo discernimento só estava ao alcance das feiticeiras, as seguidoras de todos os tempos da rainha da feitiçaria, a deusa Hécate.
Acima de tudo as plantas têm uma função "sagrada", ou pelo menos várias civilizações as têm conotado com o "sagrado". Além dos exemplos já vistos, noutras simbologias, cumpre recordar que existem inúmeras superstições ligadas às plantas. A Idade Média foi uma das épocas históricas em que mais superstições botânicas houve, embora remontem a épocas mais recuadas, como na Grécia Antiga, quando os templos dedicados a Zeus eram implantados em áreas de carvalhos, uma árvore, como se viu, também sagrada para os Celtas e para os povos germânicos, representando para estes últimos a ancestralidade e a árvore da vida. Os Gregos antigos conotavam as árvores e outras plantas com deuses: além do carvalho e Zeus, relacionavam a vinha com Dionísio (ou Baco), o loureiro com Apolo (pela sua perseguição à bela Dafne, cujo nome significa "louro"), a oliveira com Hera (e daí ser símbolo de fecundidade) ou o plátano com Menelau, entre outros exemplos.
Azinheiras ou oliveiras têm também conotações com o Cristianismo, como árvores de aparições ou símbolos da paz, respetivamente, quando não da terra reencontrada, do futuro, da salvação, conforme atesta o ramo de oliveira trazido pela pomba a Noé no fim do Dilúvio. E não esteve também Jesus Cristo, na sua última noite, depois da Ceia pascal, no Jardim das Oliveiras? Estas árvores, como as vinhas e os seus frutos e produtos (o vinho, como o azeite da oliveira), representam valores litúrgicos de sacrifício, de redenção, de recordação da Paixão e Morte de Cristo, de eternidade. Como as figueiras são a árvore da meditação, para os Budistas, por exemplo, já que Sidharta Gautama, Buda (o Iluminado) recebeu a iluminação e a verdade enquanto contemplava misticamente à sombra de uma figueira. Ou o incenso e a mirra, plantas odoríferas de grande significado religioso para o Cristianismo, mas não só, com tantos episódios e lendas (Reis Magos, por exemplo) com eles relacionados, além da sua importância ritual e litúrgica se manter viva. E não foi através de uma planta em chamas que Deus se manifestou a Moisés, a sarça-ardente? No Oriente, como no Ocidente, em todos os tempos, inúmeras foram as significações e simbologias das plantas, com variações no espaço e no tempo, nas diversas religiões.
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